É uma aventura que não está a passar despercebida em Cabo Verde.

O Comité Olímpico cabo-verdiano, a pensar nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021 (adiados de 2020 devido à pandemia), decidiu convidar o casal japonês que está em lua-de-mel há seis meses em Cabo Verde para ser embaixador olímpico do país. No Japão, vão levantar a bandeira de Cabo Verde, país que nunca conquistou uma medalha olímpica.

“Foi uma total surpresa. Senti-me honrado. Já temos publicado nas redes sociais, no Japão, como é Cabo Verde e como são os cabo-verdianos e todos dizem que querem vir visitar estas ilhas”, descreve Rikiya.

A aventura de Rikiya Kataoka, 29 anos, e da mulher, Ayumi, 30 anos, começou em 2019, depois do casamento, no mês de abril, e após pouparem durante meses para uma viagem de lua-de-mel de volta ao mundo que durante um ano teria passagem por cerca de 25 países.

Depois de percorrerem oito países, chegaram à ilha cabo-verdiana do Sal em 26 de fevereiro deste ano. Ao fim de duas semanas viram o país encerrar as ligações aéreas internacionais, para travar a progressão da pandemia, e ficaram literalmente isolados naquela ilha cabo-verdiana, quando a volta ao mundo ia a um terço.

Apesar de a ilha do Sal permanecer como um dos focos da covid-19 no arquipélago, com mais de meio milhar de casos diagnosticados desde junho, o casal não se mostra preocupado.

“Não me assusta porque é fácil manter a distância para evitar contágios”, aponta.

No passaporte de Rikiya constam visitas a 87 países, incluindo cerca de 100 ilhas. E com a volta ao mundo em modo de pausa, o casal tem uma certeza: “Ainda não decidimos quando vamos partir. A ideia é retomar a volta ao mundo, se o coronavírus permitir, mas não é para já. Vamos ficar e tentar conhecer as outras ilhas de Cabo Verde”.

É que para o casal japonês, Cabo Verde é “fofo”, uma das palavras que mais usam, confessam, desde que aprenderam um pouco de português e de crioulo cabo-verdiano.

 
Lara Ferin