Uma simples constipação pode proteger contra a covid-19, defende um estudo britânico, publicado na revista médica Journal of Infectious Diseases.

As crianças e a sua resposta não só ao rinovírus como ao coronavirus, que afeta muito mais os adultos, estão na base das conclusões dos investigadores da Universidade de Glasgow, na Escócia, em parceria com o Instituto de Saúde Infantil da College London.

O rinovírus, responsável pela constipação comum, desencadeia uma resposta imunitária que parece bloquear a replicação do SARS-CoV-2 nas células do trato respiratório.

E são precisamente os anticorpos contra as constipações, encontrados em crianças com idades entre os 6 e os 16 anos, que podem servir de proteção contra o coronavírus, apesar de nunca terem sido infetadas com a covid-19, reforça este estudo.

Para chegarem a esta conclusão, os cientistas recriaram em laboratório a infeção em células humanas e a replicação do SARS-CoV-2 tanto na presença como na ausência do rinovírus.

A nossa investigação mostra que o rinovírus humano desencadeia uma resposta imune inata em células respiratórias que bloqueia a replicação do vírus responsável pela covid-19. Isto significa que a resposta imunitária a constipações moderadas, infeções comuns, pode fornecer algum nível de proteção transitória contra o SARS-CoV-2, potencialmente bloqueando a transmissão do coronavirus e reduzindo a gravidade da covid-19", afirmou o professor Pablo Murcia, do departamento de saúde pública da Universidade de Glasgow.

Estes anticorpos podem, inclusive, ser a pista para o motivo pelo qual as crianças, na sua grande maioria, não são gravemente afetadas pela covid-19, defendem os investigadores.

Este tipo de investigação pode ser usado de diferentes formas. Mostra-nos ou sugere que os vírus interagem entre si. Há uns anos mostrámos que o mesmo rinovírus interagia com o vírus da gripe", lembrou o investigador.

Os investigadores esperam, agora, "tentar compreender os mecanismos que sustentam estas interações a nível molecular".

Se entendermos isto, pode levar ao desenvolvimento de novas terapias e abordagens contra a covid-19, como os medicamentos antivirais", apontou, considerando, porém, que, neste momento, a vacinação é a melhor terapêutica.

Catarina Machado