Pelo menos dez homens morreram em confrontos com a Polícia Militar (PM), sexta-feira, durante operações em favelas cariocas situadas na Zona Oeste da cidade, em mais um dia de violência no Rio de Janeiro.

Além drogas, foram apreendidos três fuzis (dois Kalashnikov AK-47 de fabricação russa), uma espingarda, três pistolas, grande quantidade de munições e granadas.

A polícia estava a investigar uma denúncia de que após terem roubado carros, os traficantes estariam a preparar uma invasão à favela e se escondiam no alto do morro.

Para evitar o confronto entre traficantes de facções rivais, a Polícia Militar realizou uma incursão de manhã e foi recebida a tiros. O local era de difícil acesso e todos os corpos tiveram de ser retirados por helicóptero. Cinco carros roubados foram recuperados.

Ainda sexta-feira, 300 polícias especializados realizaram uma megaoperação em três favelas cariocas no Bairro de Campo Grande (Carobinha, Barbante e Vilar Carioca) com o objectivo de coibir a acção de grupos de milicianos.

Cerca de 40 mandados de prisão foram expedidos contra pessoas que teriam envolvimento com o tráfico de drogas e grupos paramilitares na região.

Formadas por ex-soldados, polícias, guardas prisionais e bombeiros no activo ou reformados, as milícias disputam com os traficantes o controlo de comunidades pobres.

Na operação, a polícia apreendeu placas de carro da Secretaria de Segurança Pública clonadas, fardas de pára-quedista do Exército, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, além de coletes à prova de balas e uma pistola israelita.

Apenas uma pessoa foi presa que, segundo investigações da polícia, teria ligações com o deputado estadual Natalino José Guimarães (DEM) e seu irmão, o vereador Jerónimo Guimarães Filho, o Jerominho (PMDB).

Trata-se de inspetores da Polícia Civil, que actuaram durante anos em várias esquadras da Zona Oeste e são acusados de comandar milicianos na localidade.

Nos últimas dois dias, outras quatro pessoas foram baleadas entre elas três polícias. Na madrugada de quinta-feira, um carro de polícia estacionado num bairro da Zona Sul, local nobre da cidade, foi metralhado com mais de 20 disparos por pessoas armadas.
Redação / SM