Uma camada de espuma tóxica está a começar a crescer em várias zonas do rio Yamuna, um afluente do sagrado Ganges, o maior rio da Índia. Perto da capital Nova Deli, e numa altura em que a população se junta nas margens para celebrar o Chhath Puja (festival da religião Hindu), são várias as imagens que mostram o cenário causado pela poluição.

Numa mistura de lixo que vem dos esgotos e de lixo industrial, a espuma formou-se ao longo da última semana, contendo elevados níveis de amoníaco e fosfatos, químicos que podem originar problemas respiratórios e de pele.

Apesar do cenário, a comunidade Hindu não abdica de se banhar nas margens do Yamuna, cumprindo a tradição do festival dedicado ao deus do sol, Surya.

Em declarações à agência Reuters, um dos devotos explica que a população não tem outra escolha: "A água está extremamente suja, mas não temos outra opção".

É um ritual tomar um banho na água, então vimos aqui para tomar banho", explica Gunjan Devi.

Perante o agudizar da situação, o governo indiano mobilizou já 15 barcos para tentar lidar com a situação e remover toda a espuma. Apesar disso, muitos especialistas temem que os danos causados já sejam bastante significativos.

O rio na margem de Nova Deli está ecologicamente morto", afirma à CNN um responsável pela gestão de rios do Sul da Ásia, que acrescenta que naquelas águas já não existem peixes ou aves.

A poluição dos rios na Índia não é, nem de perto, um fenómeno recente. Há já várias décadas que partes do Yamuna são contaminadas com lixo tóxico e águas residuais.

É em torno de Nova Deli que a situação é pior, muito devido à forte densidade populacional, numa cidade com mais de 21 milhões de habitantes.

Apesar de apenas 2% do rio passar pela capital, é ali que são produzidos 76% dos resíduos poluentes do Yamuna.

António Guimarães