Um estudo da Universidade Agostinho Neto descobriu mais de cem casos de crianças que foram lançadas aos rios pelos seus pais para serem devorados por jacarés, por acreditarem os seus filhos são feiticeiros. O estudo concluiu que o “fenómeno da feitiçaria” contra menores constitui um problema social generalizado, em algumas regiões de Angola.

Ndonga Mfuwa, director do Centro de Estudos e Investigação em População, explicou ao Jornal de Angola que os dados foram obtidos por uma equipa de investigadores que se deslocaram às regiões onde o fenómeno é considerado “endémico”.

As províncias do Norte, como Cabinda, Zaire, Malanje, Bengo e Uíge foram as que mais se destacaram pela negativa. Esta última província foi a que registou o maior número de casos detetados.

Nestas províncias muitos acreditam no feitiço, mas, infelizmente, não conseguem provar que um determinado individuo é feiticeiro”, explicou Mfuwa.

Em 2019, registaram-se 46 casos de crianças acusadas de práticas de feitiçaria , segundo dados do Instituto Nacional da Criança. Só na província de Bié foram reportados 24 casos. Ainda assim, Luanda e Cabinda registaram 4 incidentes.

O investigador refere ainda que este fenómeno é causador de destabilização social e que deve ser combatido para evitar que as crianças se desenvolvam de forma desequilibrada, tornando-se seres humanos desprezados pelas suas comunidades.

Como investigadores, vamos trabalhar com as autoridades civis e do Estado para pôr termo a este fenómeno”, disse Ndonga Mfuwa, que garantiu endereçar o processo às autoridades tradicionais para solução do caso “Feitiçaria Infantil”.

/ JR