A estátua de um comerciante de escravos foi removida na terça-feira do local onde se encontrava há cerca de 200 anos em Londres na sequência de uma petição popular e após protestos antirracismo no Reino Unido.

A fundação Canal Trust e River Trust, proprietária do local onde estava a estátua de Robert Milligan, disse reconhecer “os desejos da comunidade local”, repetidos numa petição lançada pelo conselheiro do município londrino de Tower Hamlets Ehtashamul Haque. 

Por mais que apreciemos o valor da história, não devemos glorificar a escravização de indivíduos exibindo uma estátua de um comerciante de escravos”, argumentou Haque. 

A estátua de Robert Milligan, um comerciante proprietário de plantações e escravos nas Índias Ocidentais no século XVIII e XIX, foi removida ao final do dia de terça-feira. Encontrava-se junto do Museu de Londres Docklands desde o início dos anos 1800.

A decisão foi tomada numa altura em que surge um crescente número de apelos para serem identificados e removidos estátuas e outro tipo de monumentos ou homenagens em espaços públicos britânicos a esclavagistas ou autores de declarações racistas.

Estão em curso petições para remover as estátuas do imperialista Cecil Rhodes de um edifício da universidade de Oxford, a estátua do político Henry Dundas de uma praça em Edimburgo e a estátua do fundador da polícia britânica Robert Peel na praça central de Manchester.

As iniciativas foram tomadas após a estátua do comerciante de escravos do século XVII Edward Colston ter sido derrubada no domingo em Bristol, arrastada pelas ruas e lançada para as águas do porto da cidade por manifestantes anti-racismo.

Um grupo de autarcas do Partido Trabalhista, a Associação do Governo Local (LGA), anunciou na terça-feira que pediu aos seus membros que trabalhem com as suas comunidades para reavaliar "a pertinência" de monumentos e estátuas nas suas áreas.

Também a Câmara Municipal de Londres anunciou a criação de uma comissão para avaliar a diversidade dos monumentos nos espaços públicos da capital britânica. 

Os protestos antirracistas no Reino Unido foram desencadeados pela morte de George Floyd, um afro-americano de 46 anos, em 25 de maio, em Minneapolis (Minnesota), depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de Floyd dizer que não conseguia respirar.

Desde a divulgação das imagens nas redes sociais, têm-se sucedido os protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades norte-americanas, algumas das quais resultaram em confrontos e violência.

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