A brutal agressão de um jogador de futebol a um árbitro em pleno jogo já tomou dimensões nacionais no Brasil. Num jogo entre o Guarani de Venâncio Aires e o São Paulo de Rio Grande do Sul, a contar para a segunda divisão do Campeonato Gaúcho, William Ribeiro perdeu a cabeça, aos 14 minutos da segunda parte, depois de ver um cartão amarelo, e pontapeou Rodrigo Crivellaro na cabeça, deixando o juiz da partida inconsciente. Antes disso, deu um soco ao árbitro.

Rodrigo Crivellaro teve alta dois dias depois, na mesma altura em que William Ribeiro foi libertado pelas autoridades. O juiz deixou o hospital numa cadeira de rodas e com colar cervical e afirmou que "foi apenas um susto".

William Ribeiro, de 30 anos, tem um historial de antecedentes criminais e já era conhecido por agressões dentro do campo. O representante legal do jogador afirma que "jamais houve intenção de matar".

O árbitro agradece por estar vivo e pede uma sanção pesada para o jogador: "Não tenho vontade nenhuma de falar com ele. Espero que pague pelo que fez, que não jogue mais futebol. Uma pessoa assim não dá para chamar de atleta. Com todos os antecedentes criminais que ele tinha, é impossível que uma pessoa assim jogue futebol. Tem de pagar por tudo o que fez".

O historial de violência do jogador

Esta não foi a primeira vez que o jogador se viu envolvido num caso destes. Já este ano, William Ribeiro agrediu um adepto dentro do estádio. Nesse caso, nem sequer estava em campo. Aliás, assistia ao jogo nas bancadas, contra o Lajeadense, e acabou por envolver-se com um adepto da sua própria equipa. Conta a imprensa brasileira que o jogador não terá gostado das críticas lançadas em direção ao treinador do São Paulo de Rio Grande do Sul.

Há sete anos, quando jogava no Guarani de Venâncio Aires, foi expulso por dar um soco num adversário em pleno jogo.

Antes disso, em 2009, agrediu um outro árbitro e chegou a ameaçar um pai de um jogador adversário. Ao todo, são já quatro as ocorrências que a polícia brasileira tem de William Ribeiro, todas elas por episódios semelhantes.

Apesar da violência do caso, não existe uma previsão legal para que este episódio resulte automaticamente na expulsão de William Ribeiro do mundo do futebol. Ainda assim, a sanção mínima do ponto de vista desportivo são 180 dias de suspensão, e será aplicada pelo Tribunal de Justiça Desportiva do Rio Grande do Sul.

O movimento de apoio ao árbitro

O episódio motivou a árbitra Edina Alves Batista e a sua equipa a lançar um movimento de protesto em pleno estádio do Maracanã, ajoelhando-se segundos antes do início da partida entre Fluminense e Atlético Goianiense. O vídeo abaixo contém as imagens da agressão, pelo que alertamos para a violência destas.

O gesto foi repetido em todos os jogos da 26.ª jornada do Brasileirão, o principal campeonato do Brasil. Foi depois alargado a todas as provas organizadas pela Confederação Brasileira de Futebol, que tem outras três divisões.

Voltando ao caso, tudo aconteceu no dia 4 de outubro, e a vítima teve mesmo de ser internada no hospital. Quanto ao atleta, foi levado pela Polícia Militar e despedido do clube, sendo também acusado de tentativa de homicídio, arriscando uma pena de prisão entre 12 a 20 anos.

Podem ter certeza, lamentamos e envergonhamo-nos profundamente de todo o ocorrido, toda a nossa nação rubro-verde: direção, adeptos, demais jogadores, etc. Pedimos todas as desculpas do mundo ao profissional agredido e à sua família, assim como pedimos desculpas ao público, de modo geral, pela cena lamentável vista. O contrato com o atleta agressor está sumariamente rescindido. Ademais, todas as medidas possíveis e legais em relação ao facto serão tomadas", afirmou a direção do clube em comunicado.

António Guimarães