As forças de segurança russas realizaram esta quarta-feira uma grande operação de busca contra as Testemunhas de Jeová, um culto proibido na Rússia e considerado “extremista”, indicou o Comité de investigação russo.

Os membros do Comité de investigação, organismo responsável pelos casos criminais mais importantes, do ministério do Interior e dos serviços de segurança (FSB), e ainda membros da Guarda nacional, “conduzem em Moscovo buscas em 16 moradas onde vivem membros desta organização”.

Segundo o Comité, foram detidos diversos “responsáveis e membros” das Testemunhas de Jeová, sem mais precisões.

Apesar da proibição do culto, os membros da organização são acusados de terem fundado desde setembro de 2017 delegações na capital russa e organizado “reuniões conspirativas”, designadamente para estudar “literatura religiosa” com objetivos de proselitismo.

Por sua vez, as Testemunhas de Jeová acusaram as autoridades russas de prosseguirem “uma caça” aos adeptos da sua religião, e, em comunicado enviado à agência noticiosa AFP, sublinharam que “ninguém consegue explicar em que consiste o seu perigo para o Estado”.

O movimento denunciou os “raides dirigidos a crentes pacíficos” e Jarrod Lopes, porta-voz das Testemunhas de Jeová em Nova Iorque, detetou mesmo um regresso aos tempos “das repressões soviéticas”.

“Esperamos que as autoridades ponham termo às perseguições e defendam a liberdade de religião inscrita na Constituição russa”, declarou à AFP.

As Testemunhas de Jeová foram proibidas em 2017 pelo Supremo Tribunal russo e o seu movimento é considerado “extremista” pelo ministério da Justiça, uma qualificação vaga e que pode ser dirigida a uma organização “terrorista”, a uma seita ou a grupos políticos da oposição.

O culto foi denunciado pela poderosa Igreja ortodoxa russa, próxima do Kremlin.

As autoridades russas promovem uma política de promoção da identidade russa, assente num particular conservadorismo que encontra as suas raízes na ortodoxia. A Igreja está muito atenta ao proselitismo e a outras crenças cristãs.

Após a proibição das Testemunhas de Jeová, diversos adeptos foram condenados a prisão efetiva na Rússia.

Em novembro passado, as autoridades russas anunciaram a abertura de um inquérito penal dirigido às Testemunhas de Jeová por “atividades extremistas”, após terem efetuado buscas em mais de 20 regiões.

As Testemunhas de Jeová, um movimento fundado na década de 1870 nos Estados Unidos por Charles Russel, reivindicam-se do cristianismo e consideram-se os únicos fiéis ao cristianismo das origens. São regularmente acusados de derivas sectárias.

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