Uma empresa russa está a ser duramente criticada por oferecer um bónus às colaboradoras que usem saias ou vestidos para trabalhar. A medida faz parte de uma campanha de comunicação interna desta fábrica de alumino, que apelidou a iniciativa de “maratona da feminilidade”.

A campanha, que deve durar até o dia 30 de junho, não incentiva apenas as colaboradoras da indústria a vestirem-se de forma feminina, pede também que as mulheres apareçam no local de trabalho com roupas curtas. No panfleto da campanha, a fábrica Tatprof diz que, para as funcionárias conseguirem este bónus, devem usar saias ou vestidos “não mais compridos do que cinco centímetros acima do joelho”.

As funcionárias que cumprirem os requisitos têm depois de enviar uma foto para a direção, para que possam receber o bónus de 100 rublos (1,40 euros) sobre os ordenados de base.

A iniciativa recolheu muitas críticas nas redes sociais. Uma jornalista russa, conhecida por ter um blog feminista, intitulou até a campanha de “notícias da Idade Média”.

Surpreendentemente, a Tatprof não pediu desculpa pela iniciativa e defendeu-a publicamente.

Queremos tornar melhores os nossos dias de trabalho. A nossa equipa é 70% constituída por homens. Este tipo de campanhas ajuda-nos a desligar, a descansar. É uma boa forma de unir a equipa”, afirmou o porta-voz da empresa, numa entrevista à estação de rádio russa Govorit Moskva.

Muitas mulheres usam automaticamente calças para o trabalho, por isso esperamos que a nossa campanha possa elevar as nossas funcionárias, para que possam sentir a sua feminilidade e charme quando escolhem usar uma saia ou um vestido”.

A justificação gerou ainda mais críticas por parte dos utilizadores do Twitter, que apelidaram os comentários de “machistas”.

A companhia diz que não vê isto como sexista e acredita que a fábrica está ‘transformada’”, pode ler-se num comentário, traduzido pela BBC.

Um bónus de 100 rublos para as mulheres usarem saias curtas e maquilhagem… para tornar melhores os dias de uma equipa predominantemente masculina. De facto, para que precisamos de feminismo quando podemos apenas agradar aos homens por dinheiro?”, perguntou outro utilizador.

A controvérsia tornou do conhecimento do público ainda outros eventos para esta “maratona da feminilidade”. Vai haver uma prova para ver qual é a funcionária que consegue fazer “dumplings” (pastéis chineses) mais depressa.

Anastasia Kirillova, uma porta-voz da empresa, veio a público defender estas iniciativas do CEO, Sergei Rachkov, garantindo que está muito preocupado em “misturar os papéis de género”.

Quer mesmo manter a essência feminina em todas as funcionárias da empresa, para que as mais jovens não tenham cortes de cabelo masculinos, não usem calças, não se envolvam em trabalho braçal, projetando todo o seu calor para criarem os filhos”.