A polémica estalou nos Estados Unidos depois de o presidente, Donald Trump, ter admitido que forneceu ao ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, informações secretas, na reunião da semana passada na Casa Branca. Agora, suspeita-se que a fonte dessas informações seja Israel.

A confirmação sobre a partilha de informações surgiu no Twitter do próprio presidente. Depois, a Casa Branca veio garantir que Trump não revelou "fontes, métodos ou operações militares" do Estado Islâmico à Rússia, reforçando a ideia de que a partilha de informações se deveu a "razões humanitárias", nomeadamente "sobre terrorismo e segurança aérea".

No entanto, o New York Times avançou também esta terça-feira que Israel é a fonte dessas informações. O jornal cita um atual e um antigo oficial, alegadamente familiarizados com o método através do qual os Estados Unidos obtiveram as informações. 

Ora durante a reunião com o ministro russo, e segundo New York Times, Trump terá abordado informações sensíveis que terão tido origem em Israel, um dos mais importantes aliados dos Estados Unidos e parceiro dos serviços secretos norte-americanos no Médio Oriente.

A confirmar-se esta notícia, a polémica poderá afetar a relação entre americanos e israelitas, uma vez que o Irão, uma das "ameaças" de Israel no Médio Oriente, é um aliado próximo da Rússia.

As autoridades de Israel não confirmaram que o país foi a fonte destas informações, mas numa declaração enviada ao The New York Times, Ron Dermer, embaixador de Israel nos EUA, reafirmou que a relação entre os dois países não foi afetada. 

Israel tem total confiança nos EUA quanto à relação de partilha de informação secreta e espera poder aprofundar esse relacionamento nos próximos anos da administração Trump", sublinhou o embaixador.


No encontro com Lavrov, Trump terá divulgado informações sobre um plano terrorista do Estado Islâmico, nomeadamente a possibilidade de os extremistas utilizarem computadores portáteis para realizarem algum tipo de ataque terrorista em voos comerciais.

De acordo com os oficiais citados, que falaram sob a condição de anonimato, pelo menos alguns dos detalhes que os Estados Unidos têm sobre o possível ataque vieram dos israelitas.


O conselheiro de Trump para a segurança nacional, H.R. McMaster, disse esta tarde que o presidente desconhecia a fonte das informações. O responsável considerou que Trump tomou a decisão acertada ao dizer aos russos o que sabia.

Entretanto, os legisladores do senado norte-americano pediram à Casa Branca que divulgasse todas as informações, notas e relatórios da reunião entre Trump e Lavrov, mas a ideia não agrada em Washington.  O porta voz da Casa Branca, Sean Spicer, recusou confirmar se a Casa Branca iria ou não aceder ao pedido.