A Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPCW) anunciou hoje que uma substância do tipo Novitchok foi descoberta no organismo do opositor russo Alexei Navalny, que esteve hospitalizado em Berlim após um presumível envenenamento.

A OPCW (na sigla em inglês), sediada em Haia, declarou que as amostras de sangue e urina de Navalny continham um “inibidor da colinestérase” similar a duas substâncias químicas do tipo Novitchok, proibidas pela organização em 2019.

Em comunicado, o diretor da OPCW, Fernando Arias, considerou que os resultados constituem “motivo de grave preocupação”.

A Alemanha tinha oficialmente solicitado “assistência técnica” à OPCW, um direito que assiste aos países que integram a organização quando consideram que ocorreu um incidente envolvendo armas químicas.

Arias acrescentou que para os Estados que integram a OPCW “é agora importante defender a norma pela qual decidiram aderir há mais de 25 anos”, quando assinaram a Convenção das Nações Unidas sobre as armas químicas.

Em Berlim, o porta-voz da chanceler Angela Merkel confirmou a informação e disse que coincide com as análises efetuadas pela Alemanha e outros países.

Através de uma declaração, Steffen Seibert referiu que as conclusões da OPCW “coincidem com os resultados já divulgados por laboratórios especializados na Alemanha, Suécia e França”, e que Moscovo contestou de imediato.

Isto confirma uma vez mais e de forma inequívoca que Alexei Navalny foi vítima de um ataque com um agente nervoso químico do grupo Novitchok”, disse.

Seibert renovou os apelos da Alemanha à Rússia para que investigue e explique o que sucedeu a Navalny, 44 anos, que adoeceu num voo na Rússia e foi depois enviado para Berlim onde recebeu tratamento num hospital.

O porta-voz revelou que a Alemanha recebeu o relatório da OPCW na segunda-feira e que ainda estava a ser examinado. Responsáveis oficiais indicaram que ainda estão a determinar que género de informação pode ser divulgada publicamente sem causar um risco de segurança para evitar que a substância “caia nas mãos erradas”.

Acrescentou que nos próximos dias a Alemanha vai promover consultas com a OPCW e um grupo de parceiros da União Europeia para decidir os próximos passos.

Qualquer utilização de armas químicas é muito séria e não pode ficar sem consequências”, disse Seibert.

O Novitchok é um grupo de agentes neurotóxicos particularmente perigoso e já utilizado em 2018 para envenenar o ex-espião Serguei Skripal e a sua filha Yulia, em Salisbury, Inglaterra. O Kremlin negou qualquer responsabilidade e o caso provocou uma crise diplomática.

Um mês após ser internado em Berlim num estado considerado grave, Navalny foi autorizado em 23 de setembro a deixar o hospital e pretende prosseguir a convalescença na Alemanha.

/ HCL