“A carruagem estava destruída. Não havia luz, havia sangue.” As palavras descrevem o cenário de destruição e horror em que se transformou o metro de São Petersburgo, na Rússia, esta segunda-feira, depois da explosão que ocorreu ao início da tarde. Uma mulher que estava no comboio atingido descreveu ao jornal Bumaga os momentos de pânico que se viveram na segunda maior cidade da Rússia.

Pauline estava numa carruagem ao lado da que foi atingida pela explosão quando tudo aconteceu, eram cerca de 14:40.

Houve um estrondo ensurdecedor, depois um cheiro muito forte e muito fumo. As pessoas estavam a ser pressionadas umas contra as outras. Duas mulheres sentira-se mal de imediato e caíram no chão inconscientes. Tudo aconteceu em movimento, o comboio não parou.”

Quando o comboio parou, por fim, na estação do Instituto de Tecnologia, Pauline viu que a carruagem ao lado estava destruída.

Toda a gente saiu na estação do Instituto de Tecnologia. A carruagem ao lado estava destruída, os vidros partidos, não havia luz e havia sangue”.

A explosão ocorreu num troço entre a estação de Sennaya e a estação do Instituto de Tecnologia, mas o maquinista, como descreve esta testemunha, não parou de imediato. Pelo contrário, conduziu o veículo até à estação que se seguia, a do Instituto de Tecnologia.

Esta decisão terá evitado um número de mortos maior, uma vez que permitiu evacuar a composição e prestar assistência aos feridos, como explicou o comité de investigação russo.

Outra testemunha, Olga, contou ao mesmo jornal que a explosão ocorreu logo depois de o comboio ter deixado a estação de Sennaya e que muitos passageiros tentaram abrir as janelas da carruagem em andamento.

Ocorreu [a explosão] quase de imediato depois de termos partido de Sennaya. Muitas pessoas caíram com a explosão. Havia fumo e cheiro a queimado. Muitos começaram a tentar abrir as janelas da carruagem."

Depois de o comboio ter parado na estação do Instituto de Tecnologia, muitos passageiros saíram a correr, mas outros ficaram para trás. Segundo as declarações de Olga, valeu a ajuda das pessoas que estavam na plataforma, que ajudaram a retirar os feridos que estavam dentro da composição.

"Quando o comboio parou, as pessoas saíram da carruagem a correr. Na plataforma muitos ajudavam a retirar os feridos.”

Uma explosão no metro de São Petersburgo fez 11 mortos e 45 feridos, esta segunda-feira. Entre os feridos, há seis em estado grave, segundo o último balanço oficial. 

O comité de investigação russo confirmou que o caso está a ser investigado como um "ato terrorista", mas não estão excluídas outras possibilidades. 

O engenho explosivo estaria numa mala que foi deixada na carruagem. Entretanto, uma segunda bomba foi encontrada e detonada pelas autoridades na estação de Ploshchad Vosstaniya, numa altura em que o metro já se encontrava encerrado.

As autoridades confirmaram que procuram dois suspeitos por envolvimento no incidente. 

Sofia Santana / atualizada às 21:39