O conflito diplomático entre a Argélia e Marrocos escalou nas últimas 24 horas.

O gabinete da presidência argelina emitiu um comunicado durante a tarde desta quarta-feira, onde assegura que os três civis argelinos mortos tinham sido “cobardemente assassinados” junto à fronteira do Saara Ocidental com a Mauritânia, através de um bombardeamento.

O crime remete a 1 de novembro, segunda-feira, dia em que a Argélia celebrou 67 anos desde o início da revolução que culminou com a independência do país. A notícia foi divulgada esta terça-feira, apontado de forma clara o exército marroquino enquanto responsável pelo ataque.

A informação sugere que terão sido as forças de ocupação marroquinas do Saara Ocidental as responsáveis pelo ataque que está agora a ser investigado. O chefe de Estado da Argélia avançou mesmo que os responsáveis pelo crime que vitimou três pessoas “não vão ficar impunes”.

Ontem, a agência de informação da Mauritânia garantiu que não tinha ocorrido nenhum ataque contra camiões argelinos naquele território.

Já Marrocos, ainda não comentou oficialmente as acusações de que é alvo.

Conflito com 27 anos de história

Argélia e Marrocos têm as fronteiras fechadas desde 1994.

O problema em cima da mesa foi sempre o Saara Ocidental, no entanto, o conflito agravou-se em novembro de 2020, quando a Frente Polisário decretou que ia quebrar o cessar-fogo com Marrocos, em curso desde 1991. 

Depois, em dezembro, os problemas voltaram a agravar-se quando o na altura presidente dos EUA, Donald Trummp, reconheceu a soberania de Marrocos no Saara Ocidental, em troca de Rabat normalizar as relações com Israel. Já o atual presidente americano, Joe Biden, não revogou o decreto, o que veio encorajar Marrocos a exigir aos parceiros europeus que deixem a zona de negociações que a ONU promove desde 1991.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, chegou mesmo a alertar para a situação de tensão crescente no Saara Ocidental, que se tinha "deteriorado significativamente” desde o ano passado.

Agora, a tensão voltou a aumentar entre os países quando no último domingo, dia 31 de outubro, a Argélia rescindiu o pacto que tinha com Marrocos que permitia o transporte de gás para Espanha pelo gasoduto Maghreb-Europa (GME).

As autoridades marroquinas garantiram que o efeito do encerramento do gasoduto será "insignificante" a curto prazo mas, a verdade é que a Argélia exporta cerca de dez mil milhões de metros cúbicos de gás natural por ano para Espanha e Portugal, através do GME.

Recorde-se que o Saara Ocidental é 80% controlado por Marrocos, que vê a ex-colónia espanhola como parte integrante de seu próprio território.

Argélia vai rever "cláusula por cláusula" o acordo assinado com UE

O presidente da Argélia, Abdelmadjid Tebboune, anunciou esta segunda-feira a revisão, “cláusula por cláusula”, das disposições do acordo de associação assinado com a União Europeia, segundo um comunicado da presidência argelina.

O comunicado, divulgado de madrugada, depois do fim do Conselho de Ministros, adianta que o chefe de Estado deu ordem para rever estas disposições, com base numa visão soberana e numa abordagem de benefício, fazendo prevalecer o produto nacional e criar tecido industrial e empregos.