Salah Abdeslam, o único suspeito vivo dos atentados de novembro de 2015, em Paris, começou a ser julgado na Bélgica. O francês, de origem marroquina, vai responder pelo tiroteio que resultou na sua captura em Bruxelas, onde três agentes ficaram feridos e um jihadista argelino morreu. 

Em tribunal, Salah Abdeslam, disse à juíza Marie-France Keutgen, que o interrogou sobre a sua identidade, que não vai responder a nenhuma pergunta.

"Não vou responder às perguntas", afirmou.

A juíza questionou então porque Abdeslam tinha comparecido em tribunal se não ia aproveitar "a oportunidade de falar". Após um curto silêncio, o suspeito afirmou que foi "chamado a tribunal". 

"Fui chamado a tribunal, vim, simplesmente. Há um processo do qual eu sou o suspeito, acusaram-me e eu estou aqui, em silêncio. É um direito que tenho, o meu silêncio não faz de mim um criminoso ou culpado, defendo-me em silêncio. Gostaria que confiássemos na evidência científica e tangível e não na ostentação ou naquilo que a opinião pública pensa".

Depois de considerar que o arguido estava a desperdiçar a oportunidade, a juíza voltou a tentar falar com Salah Abdeslam, garantindo-lhe que todos os seus direitos seriam respeitados.

"Eu não tenho pena de vocês, eu não tenho pena dos vossos aliados. É no meu Deus que coloco a minha confiança. Julguem-me, eu tenho confiança em Ala, não tenho nada a acrescentar", reiterou Abdeslam.

A audiência veria a ser suspensa até às 13:30 (hora local) após um pedido da defesa.

Abdeslam acabou por ser capturado três dias depois dos confrontos com a polícia, a 18 de março de 2016, no bairro de Molenbeek, na capital belga.

O francês de origem marroquina, de 28 anos, vai responder por tentativa de homicídio e uso de armas proibidas num processo de contexto terrorista. Uma acusação que pode resultar numa sentença até 40 anos de prisão. 

O julgamento está rodeado de medidas excecionais de segurança, com mais de 100 polícias destacados para o palácio da justiça, em Bruxelas.