O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, despediu, na segunda-feira, a procuradora-geral interina do país, depois desta ordenar aos advogados do Ministério Público que não defendessem a proibição de entrada de refugiados e outros viajantes de países muçulmanos.

Num comunicado, a Casa Branca disse que Sally Yates, membro da administração Obama, é “fraca nas fronteiras e muito fraca em [relação à] imigração ilegal”, e criticou a democrata por não ter ainda confirmado a nomeação do seu Procurador-Geral, Jeff Sessions.

A procuradora-geral interina, Sally Yates, traiu o Departamento de Justiça ao recusar fazer cumprir uma ordem legal para proteger os cidadãos dos Estados Unidos. O presidente Trump dispensou Yates das suas funções”, indica o comunicado da Casa Branca.

A Procuradora-Geral dos Estados Unidos interina, membro da administração Obama, ordenou aos advogados do Ministério Público para que não defendessem a proibição do Presidente Trump à entrada no país de refugiados e outros viajantes de sete países muçulmanos.

Num memorando, Sally Yates - que foi número dois do departamento de Justiça durante a presidência de Barack Obama e é agora a responsável judicial máxima no país até que o nomeado por Trump seja confirmado pelo Senado -, declarou que duvida da legalidade e da moralidade da ordem executiva do novo Presidente.

A minha responsabilidade é garantir que a posição do departamento de Justiça é não só legalmente defensável, como reflete o nosso ideal do que a lei deve ser, tendo em consideração todos os factos”, escreveu Yates no memorando enviado à imprensa norte-americana.

A administração Trump não perdeu tempo a substituir Sally Yates por Dana Boente. O novo procurador-geral interino dos Estados Unidos comprometeu-se a defender a controversa ordem presidencial sobre imigração, horas depois de a sua antecessora ter sido afastada por a desafiar.

O procurador federal Dana Boente foi nomeado para o cargo enquanto o novo procurador, Jeff Sessions, não é confirmado.

Com base na análise do Gabinete de Assessoria Jurídica, que concluiu que a ordem executiva é legal (…) e foi adequadamente elaborada, rescindo a antiga procuradora-geral interina Sally Q. Yates, a 30 de janeiro de 2017, guiando e direcionando os homens e mulheres do Departamento de Justiça a cumprirem o nosso dever e defenderem as ordens legais do nosso Presidente”, disse Boente em comunicado.

O Presidente dos Estados Unidos substituiu no mesmo dia o chefe interino da Secretaria de Imigração e Alfândega, que era da administração de Barack Obama, numa altura em que enfrenta oposição a controversas ordens relacionadas com a imigração.

Nenhum motivo foi apresentado para a substituição de Daniel Ragsdale, anunciada uma hora depois de Trump ter despedido Sally Yates.

O substituto de Ragsdale, Thomas Homan, vai ajudar a “garantir que são aplicadas as leis de imigração no interior dos Estados Unidos, de forma consistente com os interesses nacionais”, justificou em comunicado o secretário da Segurança Interna, John Kelly.

Noutro plano, os veteranos de guerra dos Estados Unidos disseram-se indignados com a proibição de entrada de pessoas de sete países muçulmanos, que bloqueou os vistos de intérpretes iraquianos que arriscaram a vida para ajudar as tropas norte-americanas.

Milhares de veteranos que combateram no Iraque e no Afeganistão assinaram petições contra a medida e muitos dizem sentir-se traídos pela ordem executiva assinada na sexta-feira.

Os combatentes consideram esta questão pessoal já que lembram que deram a sua palavra às pessoas que ajudaram as tropas e prometeram que os Estados Unidos as iam proteger e às suas famílias.

Redação / CM