O presidente grego anunciou que vai encontrar-se com Andonis Samaras, líder dos conservadores do Nova Democracia, o partido mais votado das eleições legislativas, que se realizaram este domingo. Karolos Papoulias deverá pedir a Samaras que tente formar uma coligação de governo.

O encontro está marcado para as 13:00 (hora de Lisboa), depois de uma reunião com o primeiro-ministro cessante, Lucas Papademos.

Apesar da vitória, a formação de Samaras não foi além dos 18,8%, correspondentes a 108 lugares no parlamento, resultado que não serve para formar uma maioria com o PASOK, o outro partido que apoia o memorando com a troika, devido à sua abrupta descida nas urnas para 13,2 por cento, ficando apenas com 41 assentos parlamentares.

Para alcançar uma maioria no Parlamento, que tem 300 lugares, os dois partidos que integraram até agora a coligação do governo, necessitam de mais dois deputados, para alcançar os 151 assentos necessários. Isso só poderá ser alcançado com um acordo com uma das outras formações partidárias, numa altura em que nenhuma delas é favorável à manutenção do actual acordo de assistência financeira à Grécia.

Estas eleições ficaram ainda marcadas pela subida da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) ao segundo lugar, com 16,76% (52 deputados) e a entrada no parlamento dos neonazis do Aurora Dourada, com 21 deputados, depois de um resultado de 6,97%.

O primeiro destes dois partidos radicais, que assinalaram uma subida notável em relação às eleições de 2009, pretende que a renegociação do memorando assinado com a troika, de forma a incluir uma cláusula de promoção do crescimento económico. Já os radicais de direita pretendem rasgar este acordo.

O líder do PASOK, Evangelos Venizelos, propôs já a formação de um governo de salvação nacional. O mesmo foi feito pelo líder da Nova Democracia, Andonis Samaras, que assinalou que está pronto para liderar essa coligação.

O líder do Syriza respondeu, por sua vez, defendeu que seja formado um governo pela forças da esquerda. «A salvação nacional que propõem alguns passa pela modificação do memorando. Os povos da Europa não podem sobreviver assim. Merkel deve entender que a austeridade não conduz a nenhum sítio», disse Alexis Tsipras.