O salário do presidente francês vai ser mais que duplicado para ser equiparado com o do primeiro-ministro, informou terça-feira o porta-voz da formação conservadora UMP na Câmara dos Deputados, Jean-François Copé.

O chefe de Estado francês, Nicolas Sarkozy, que recebe actualmente 7.700 euros brutos mensais, vai receber no próximo ano 19.000 euros, segundo a agência francesa France Press.

Este valor ultrapassa o salário do primeiro-ministro, François Fillon, que aufere 18.700 euros.

A agência espanhola EFE informa que a nova remuneração do presidente francês foi aprovada numa emenda do governo a um projecto-lei e por desejo do próprio Sarkozy foi discutida pelos deputados, quando anteriormente era o próprio chefe de Estado que tomava a decisão.

«Não quero ser eu a fixar o salário do presidente da República. Quero que o salário do presidente, como o dos ministros, seja fixado pela lei, com toda a transparência», assegurou Sarkozy numa visita à Córsega.

O aumento do salário do presidente provocou algumas críticas dos deputados da oposição.

«É um pouco indecente. Depois de se dar com gente com muito dinheiro, uma pessoa sente a necessidade de pôr-se ao seu nível. É escandaloso», afirmou o deputado socialista Jean-Pierre Balligand.

O seu colega Christian Paul, que considerou que o primeiro-ministro tem um salário demasiado elevado, assegurou num tom irónico que se a política de Sarkozy é a de nivelar os salários por cima «é uma boa notícia para os trabalhadores».

«Ninguém nos fará crer que os anteriores presidentes viviam na pobreza», assegurou o também socialista Philippe Martin.

Para o porta-voz do partido conservador no governo UMP, Jean-François Copé, «ser presidente da República é uma responsabilidade considerável», pelo que considerou «normal que tenha uma remuneração comparável à do chefe do governo e à dos chefes de Estado de outros países europeus».

Segundo as estatísticas, a maioria dos franceses recebe cerca de 1.500 euros mensais.