Investigadores indianos identificaram 7.569 variantes da SARS-CoV-2 em circulação no país, desde o início da pandemia. No entanto, os autores do estudo admitem que o resultado poderá ser ainda maior, uma vez que, de acordo com os investigadores, os números de testes feitos são insuficientes.

A evolução do SARS-CoV-2 pode torná-lo mais infecioso por via de mutações adaptativas que aumentam a ligação às células hospedeiras”, refere o estudo. “Há mutações que podem ajudar o vírus a evitar a resposta imunológica, tendo sérias implicações para a resposta da vacina e outras terapêuticas.”

Caso esta variantes e os respetivos surtos não sejam controlados, os cientistas do Centro de Biologia Celular e Molecular de Hyderabad alertam que a mortalidade da doença pode voltar a disparar no país.

Rakesh Mishra, diretor do centro que conduziu a pesquisa, afirmou ao jornal Times of India que esses dados podem estar ligados à ausência de um rastreio suficientemente eficiente por parte das autoridades de saúde indianas.

Este estudo ganha uma maior importância numa altura em que muitas partes do mundo, incluindo Portugal, estão a ver algumas mutações ganharem uma maior prevalência no número total de casos registados num país.

Esta segunda-feira, João Paulo Gomes, do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, revelou que a variante britânica da doença já representa 48% dos casos ativos em Portugal e alertou que esse número pode “subir exponencialmente” caso o desconfinamento venha a ser apressado.

Os especialistas estimavam que 65% dos casos da covid-19 em Portugal fossem causados diretamente por esta variante, mas, “graças ao confinamento rígido”, esses números, neste momento, não ultrapassam os 48%.

A prevalência da variante britânica e brasileira na Índia é, ao que tudo indica, muito reduzida.