Um estudo de seroprevalência, divulgado na quarta-feira, indicou que 15% da população do Brasil, um dos países mais afetados pela pandemia, tem anticorpos contra o novo coronavírus.

O estudo, que analisa a presença de anticorpos do novo coronavírus na população, realizou-se entre 25 de janeiro e 24 de abril, quando a campanha de vacinação contra a covid-19 já tinha arrancado no país, mas a maioria das pessoas testadas ainda não tinha sido vacinada, de acordo com um comunicado.

"Menos de 1% das pessoas testadas afirmou ter recebido vacinas e praticamente nenhuma havia recebido as duas doses", disse o professor Marcelo Burattini, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que realizou o estudo, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Os autores do estudo concluíram que a grande maioria das pessoas com anticorpos contra o SARS-CoV-2 esteve anteriormente em contacto com o vírus e poderá ter adquirido alguma imunidade contra a doença.

O estudo, que analisou 120 mil pessoas em 133 municípios, mostrou enormes discrepâncias nas taxas de seroprevalência dos estados brasileiros, de 9,89% no Ceará (nordeste) a 31,4% no Amazonas (norte), onde surgiu a variante do coronavírus conhecida como P.1.

Com 212 milhões de habitantes, o Brasil é o segundo país com mais vítimas mortais em todo o mundo, depois dos Estados Unidos, e o terceiro com mais casos de covid-19, depois dos EUA e da Índia.

Nos últimos dias, o Brasil voltou a registar um aumento de casos de covid-19, com especialistas a preverem uma terceira vaga da pandemia no país.

Só nas últimas 24 horas, o país contabilizou 80.486 novos casos e 2.398 mortos.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.487.457 mortos no mundo, resultantes de mais de 167,7 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 17.022 pessoas dos 846.434 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

/ RL