A transnacional suíça Nestlé reconheceu num documento interno, distribuído aos principais executivos, que 63% dos produtos fabricados não são considerados saudáveis.

De acordo com o Financial Times, que teve acesso à informação, no documento pode ler-se que estes produtos não estão identificados com a "reconhecida definição de saúde" e que alguns deles "nunca vão ser 'saudáveis' por mais que sejam renovados"

É dito ainda que apenas 37% dos alimentos e bebidas da Nestlé - excluindo a comida para animais de estimação e de nutrição médica especializada - têm uma classificação acima das 3,5 estrelas numa escala de cinco. Este é o valor mínimo para os produtos serem reconhecidos como 'saudáveis'.

Mas os números não ficam por aqui. Segundo o documento, 96% das bebidas fabricadas pela transnacional suíça (excluindo o café puro) não integram o grupo dos produtos saudáveis, bem como 99% dos gelados e doces. 

No sentido oposto, ou seja, dos produtos considerados saudáveis, fazem parte as águas, com 82%, e os lacticínios, com 60%. 

Fizemos melhorias significativas aos nossos produtos (...) mas o nosso portefólio continua a ficar aquém relativamente às definições externas de saúde num cenário em que as pressões regulatórias e as exigências dos consumidores estão a disparar", lê-se no documento.

Estes dados excluem fórmulas para bebés, comida para animais de estimação, café e o departamento de ciências da saúde, que contém produtos para pessoas com condições médicas específicas. Significa isto que os dados representam cerca de metade das receitas anuais totais da Nestlé: 84,2 mil milhões de euros.

Estas revelações surgem numa altura em que a empresa está num esforço global para combater a obesidade e promover uma alimentação mais saudável. Os principais executivos vão avançar com alterações, assinar novos compromissos com a nutrição e pretendem anunciar quais os planos ainda este ano. 

Cláudia Évora