As autoridades chinesas confirmaram esta sexta-feira a morte de 15 pessoas, em Wuhan, aumentando o número total de mortes para 41. Apenas no dia de hoje, foram confirmados mais 180 novos casos de contágio do coronavírus no epicentro da contaminação. As vítimas teriam idades compreendidas entre os 55 e os 87 anos.

O anúncio aparece no dia em que se confirmaram os primeiros casos de infeção na Europa, com a notícia de três casos confirmados em França. Também nos Estados Unidos da América o número aumentou para dois.

A contaminação, que começou na cidade chinesa de Wuhan, levou o governo da República Popular da China a tomar medidas de precaução para tentar conter o alastrar do número de casos.

As autoridades chinesas consideram que o país está no ponto "mais crítico" no que toca à prevenção e controlo do vírus e colocaram em quarentena, impedindo entradas e saídas, várias cidades onde vivem mais de 36 milhões de pessoas.

Num esforço sem precedentes para tentar travar a propagação, cancelaram também as comemorações do Ano Novo chinês em várias localidades, incluindo a capital, Pequim.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde anunciou a ativação dos dispositivos de saúde pública de prevenção, enquanto o Centro Europeu de Controlo de Doenças elevou para “moderado” o risco de contágio na União Europeia, continuando a monitorizar a situação e a realizar avaliações rápidas de risco.

O Comité de Emergência da Organização Mundial de Saúde, reunido na quarta e quinta-feira, optou por não declarar emergência de saúde pública internacional, embora reconheça que há esse risco.

Os primeiros casos do coronavírus “2019 – nCoV” apareceram na cidade de Wuhan, capital e maior cidade da província de Hubei, no centro da China, quando começaram a chegar aos hospitais pessoas com uma pneumonia viral.

Os sintomas associados à infeção causada por este novo coronavírus são mais intensos do que uma gripe e incluem febre, dor, mal-estar geral e dificuldades respiratórias, incluindo falta de ar.

Dados preliminares, divulgados pela revista médica The Lancet, apontam algumas semelhanças entre o novo coronavírus e o coronavírus que esteve na origem da Síndrome Respiratória Aguda Grave, identificada pela primeira vez na China há mais tempo.

China anuncia o envio de 450 médicos

A China anunciou o envio de 450 médicos militares para a cidade de Wuhan, epicentro da epidemia.

Os 450 médicos, que são funcionários da marinha, força aérea do Exército de Libertação Popular e de universidades militares, chegaram a Wuhan por avião militar na sexta-feira à noite, de acordo com a agência estatal Xinhua.

As equipas médicas são compostas por especialistas em saúde respiratória, doenças infecciosas, controlo de infeções hospitalares e unidade de terapia intensiva.

Transportes condicionados

A China vai avançar com medidas nacionais para rastrear o novo vírus nos transportes públicos e a circulação de veículos não essenciais já está proibida em Wuhan, para tentar conter a epidemia.

A circulação de veículos não essenciais está proibida desde as 00:00 de sábado em Wuhan, uma cidade chinesa com 11 milhões de habitantes que é o coração de uma epidemia de pneumonia viral. A cidade foi colocada em quarentena na quinta-feira, na esperança de impedir a propagação do novo coronavírus.

Segundo a Comissão Nacional de Saúde (CNS), serão montados pontos de inspeção para controlar a circulação dos passageiros que viajem de comboio, autocarro ou aviões.

Todos os viajantes que sejam identificados com sintomas de pneumonia serão "imediatamente transportados" para um centro médico, anunciou a CNS em comunicado citada pela agência de notícias francesa France Press.

Além disso, os meios de transporte onde sejam identificadas pessoas suspeitas serão desinfetados e as pessoas que estavam nas proximidades de um passageiro possivelmente infetado devem ser listados, ordenou o CNS.

Essas diretrizes são anunciadas enquanto a província de Hubei, no centro da China, é bloqueada por medidas de quarentena que proíbem os habitantes de deixar a região.

/ JR