É a maior crise sanitária em várias décadas, mas há uma coisa que faz com que a covid-19 não seja ainda mais preocupante: a relativamente baixa taxa de letalidade.

Com efeito, essa mesma taxa anda por volta dos 2% no Reino Unido, sendo que em Portugal essa percentagem desce para menos de 2%.

Mas um novo estudo publicado esta sexta-feira pelo Grupo Científico de Aconselhamento para Emergências (SAGE, na sigla original) do Reino Unido mostra que no futuro poderá não ser bem assim. Apontando uma taxa de letalidade semelhante à da síndrome respiratória do Médio Oriente (vulgarmente conhecida por MERS, e que causou uma epidemia naquela zona do globo em 2012), os especialistas referem que a possibilidade de aparecer uma variante da covid-19 que mate uma em cada três pessoas infetadas é "uma possibilidade real".

Neste cenário, e segundo os mesmos especialistas, esta mutação poderia ser resistente às vacinas que estão a ser administradas atualmente, o que poderia voltar a virar o mundo de pernas para o ar, mas numa situação ainda mais grave.

O documento do SAGE olha para uma "evolução a longo prazo" da covid-19, e refere que uma erradicação do vírus é "pouco provável". Em sentido contrário, os cientistas afirmam de forma segura que existirão sempre novas variantes da doença.

O cenário colocado em causa imaginou uma variante que causasse uma forma da doença muito mais grave do que até agora foi observado, e que poderiam atingir taxas de letalidade de outros coronavírus (genericamente 10%) ou até mesmo da MERS (35%).

Os especialistas alertam que esta poderia ser a combinação entre duas variantes, admitindo que isso pode acontecer caso exista uma mistura entre as mutações Beta, Alpha ou Delta.

Nesse sentido, o SAGE, que também é um órgão de aconselhamento do governo britânico, pede que sejam tomadas medidas o quanto antes para evitar o surgimento de novas variantes, precisamente para evitar a tal combinação.

Ainda antes do relatório, o governo britânico anunciou novo passo na libertação, com a abertura do país aos visitantes da União Europeia e Estados Unidos que estejam completamente vacinados.

O Reino Unido é um dos países mais afetados pela covid-19 em todo o mundo. Dos quase seis milhões de casos confirmados, perto de 130 mil resultaram em mortes.

António Guimarães