O primeiro-ministro austríaco condenou os insultos do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ao seu homólogo francês, Emmanuel Macron, e considerou que Ancara se afasta cada vez mais dos valores da União Europeia.

"Condeno os insultos do presidente Erdogan contra o presidente Macron", disse Sebastian Kurz numa mensagem publicada na rede social Twitter.

Erdogan aconselhou Macron a fazer "terapia mental" para as medidas que tomou contra o fundamentalismo islâmico em França, depois de um professor do ensino médio ter sido decapitado por mostrar caricaturas de Maomé em sala de aula, nos arredores de Paris.

As palavras de Erdogan, de acordo com Kurz, "mostram mais uma vez que a Turquia está a afastar-se da União Europeia (UE)” e dos seus valores comuns.

O chefe do Governo austríaco, que criticou Erdogan em várias ocasiões e pediu o fim das negociações de adesão da Turquia à União Europeia, também mostrou o seu "total apoio e solidariedade a França".

As críticas de Kurz juntam-se às de outros líderes da UE, como o Alto Representante para os Negócios Estrangeiros, Josep Borrell, e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

O presidente turco acusou Macron de agir contra milhões de muçulmanos em França, referindo-se à ofensiva contra o radicalismo islâmico, com o encerramento de uma mesquita e a dissolução de associações islâmicas em resposta ao assassínio do professor Samuel Paty.

Samuel Paty, de 47 anos, lecionava as disciplinas de História e Geografia em Conflans-Sainte-Honorine, nos arredores de Paris (França), e foi decapitado em 16 de outubro por Abdullakh Anzorov, um refugiado de origem russa e chechena de 18 anos.

Macron e Erdogan tiveram vários desentendimentos nos últimos meses devido à intervenção da Turquia na Líbia, assim como as disputas pelas águas territoriais de Chipre e Grécia e, mais recentemente, devido ao conflito em Nagorno -Karabakh em que a Turquia está claramente alinhada com o Azerbaijão contra a Arménia.

A presidência francesa considerou, na sexta-feira, “inaceitáveis” as declarações do Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que questionou “a saúde mental” do seu homólogo francês, Emmanuel Macron, devido à atitude deste em relação aos muçulmanos.

/ AM