A morte do jovem missionário norte-americano John Allen Chau pela tribo da ilha Sentinela do Norte, no Golfo da Bengala, chamou a atenção para esta zona remota do mundo. Muitos desconheciam a existência desta tribo, mas esse não é o caso do antropólogo indiano Trilokinath Pandit, que foi o primeiro homem a estabelecer contacto com os indígenas locais sem sofrer qualquer ataque.

Este encontro aconteceu no dia 4 de janeiro de 1991, durante o qual Pandit, atual diretor do Centro de Estudos Antropológicos da Índia, e os seus colegas conseguiram aproximar-se da ilha de barco e estabelecer um contacto calmo com a tribo.

Durante a nossa interação eles trataram-nos bem e nunca tentaram matar-nos ou agredir-nos. Quando ficavam mais agitados nós afastávamo-nos”, afirmou Pandit numa entrevista à BBC.

Num vídeo registado na altura é possível ver que a tribo estava escondida na vegetação da ilha a observar os investigadores que chegavam de barco. Depois de verificarem que estes não representavam uma ameaça, os indígenas começaram a aproximar-se com receio.

No momento em que Pandit e os seus colegas oferecem-lhes cocos a uma distância de segurança, começaram a chegar mais membros da tribo à praia e para junto do barco.

Ficámos perplexos quando eles nos deram permissão para estar ali. Foi uma decisão deles e o contacto aconteceu nos termos que eles impuseram”, contou o diretor dos Estudos Antropológicos.

Chegaram mesmo a aproximar-se algumas crianças e mulheres, mas foram maioritariamente homens que se atreveram a entrar na água.

Um homem ficou a uma distância de poucos metros do barco, mas foi obrigado a afastar-se por insistência de uma mulher da tribo.

Saímos do barco e ficámos na água a distribuir cocos e presentes, mas eles não nos permitiram entrar na ilha.”

Este terá sido também o último contacto com a tribo considerada agressiva da Índia, já que o governo indiano proibiu qualquer tipo de aproximação à ilha ou aos habitantes da mesma em 1997.

Esta não foi a primeira tentativa de contacto

De acordo com a BBC, este não foi o primeiro encontro que Pandit tentou ter com a tribo. Em 1967, o diretor dos Estudos Antropológicos dirigiu-se à ilha com investigadores para perceberem como se comportava a tribo e o contacto que poderiam estabelecer com ela.

Inicialmente, os indígenas esconderam-se na selva e nem tentaram aproximar-se. E começaram rapidamente a atirar flechas para o barco de Pandit.

No entanto, o grupo de investigadores deixou alguns alimentos e objetos para conseguirem ganhar confiança com os indígenas e, mais tarde, terem a possibilidade de estabelecer o contacto esperado.

Levámos presentes, como panelas e frigideiras, grandes quantidades de cocos, martelos e facas compridas. Também levámos connosco três homens de outra tribo local para nos ajudarem a interpretar a língua e o comportamento da tribo de Sentinela. No entanto, eles encararam-nos com rostos fechados e estavam totalmente armados com arcos e flechas. Estavam preparados para defender o seu território.”

A tribo da ilha Sentinela do Norte, que vive isolada há muitos anos, ganhou atenção mundial depois de John Allen Chau ter tentado entrar na ilha para estabelecer contacto com os indígenas. 

Pandit, agora com 84 anos, afirma que, tendo em conta a sua experiência, a tribo é em grande parte “amante da paz” e acredita que a reputação que agora ganhou é “injusta”.

Os agressores aqui somos nós. Somos nós que estamos a tentar entrar no seu território. Os ‘sentineleses’ são pessoas que amam a paz. Eles não procuram atacar pessoas. Eles não visitam áreas próximas e causam problemas. O incidente com Chau foi raro.”