O presidente do Partido Socialista Europeu (PSE) considerou uma “vergonha” que Jeroen Dijsselbloem, membro desta família política, tenha insultado “com uma só frase” tantas pessoas, e sublinhou que aquela posição “não representa o PSE”.

Com uma só frase, Dijsselbloem conseguiu insultar e desacreditar tantas pessoas e aumentar as divisões. As suas palavras são ofensivas tanto para os países do sul como do norte da Europa, mulheres e homens”, comentou Sergei Stanishev numa declaração escrita, referindo-se às declarações do presidente do Eurogrupo sobre os países do sul gastarem dinheiro “em copos e mulheres”.

Segundo o presidente do Partido Socialista Europeu, “as declarações de Dijsselbloem são simplesmente inaceitáveis, especialmente neste período tão crítico para o projeto de integração europeia”, e a poucos dias da celebração do 60.º aniversário dos Tratados de Roma, no próximo sábado.

É realmente uma vergonha que um representante da nossa família política contradiga a essência dos valores da unidade, respeito e solidariedade que são as fundações do projeto europeu”, concluiu.

O Governo português, por intermédio do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, na terça-feira, e do primeiro-ministro, António Costa, esta quarta-feira, já pediram o afastamento de Dijsselbloem da presidência do fórum de ministros das Finanças da zona euro, posição subscrita, também hoje em Bruxelas, pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

A Europa só será credível com um projeto comum no dia em que o senhor Djisselblom deixe de ser presidente do Eurogrupo e haja um pedido de desculpas claro, relativamente a todos os países e povos que foram profundamente ofendidos por estas declarações", disse hoje António Costa.

Numa entrevista concedida na segunda-feira ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, Dijsselbloem afirmou: “Durante a crise do euro, os países do norte mostraram solidariedade com os países afetados pela crise. Como social-democrata, atribuo uma importância extraordinária à solidariedade. Mas também deve haver obrigações: não se pode gastar todo o dinheiro em copos e mulheres e depois pedir ajuda".