A Netflix eliminou o segundo episódio de “Agir como um Patriota” (“Patriot Act”), protagonizado pelo humorista Hasan Minhaj, por este ter criticado o Governo saudita.  

No segundo episódio do programa, Hasan Minhaj, um americano de origem muçulmana e ascendência indiana, criticou a Arábia Saudita a propósito do assassinato do jornalista norte-americano Jamal Kashoggi, no consulado saudita em Istambul. O humorista criticou ainda o príncipe-herdeiro, Mohamed bin Salman, e também a campanha militar dos sauditas no Iémen.

Estou genuinamente a torcer por mudanças na Arábia Saudita. Estou a torcer pelo povo da Arábia Saudita. Há pessoas na Arábia Saudita a lutar por uma verdadeira reforma, mas a MBS – referindo-se ao príncipe herdeiro saudita pelas suas iniciais - não é uma delas. Para aqueles que continuam a trabalhar com ele, apenas saibam que a cada acordo que fecham estão simplesmente a ajudá-lo a consolidar um monarca absoluto sob o disfarce de progresso, porque, em última análise, o MBS não está a modernizar a Arábia Saudita", disse o humorista no episódio.

De acordo com o Financial Times, as autoridades sauditas pediram que o episódio fosse removido, argumentando que violaria uma lei contra o cibercrime.

A plataforma de streaming adiantou que eliminou o episódio na última semana, depois de a Comissão de Comunicação, Informação e Tecnologia saudita ter pedido a retirada do mesmo, visto que violava as leis de cibercrime do reino. Segundo a CNN, o artigo 6 da lei proíbe a "produção, preparação, transmissão ou armazenamento de material que atinja a ordem pública, os valores religiosos, a moral pública e a privacidade" na Internet.

A decisão da plataforma de streaming já está a causar alguma indignação nas redes sociais. Muitos internautas já questionam os limites da liberdade de expressão na Internet.

Karen Attiah, editora no Washington Post, criticou a medida da Netflix no Twitter.

@hasanminhaj de @patriotact tem tido uma forte, honesta e (engraçada) voz, que tem desafiado a Arábia Saudita + Mohammed bin Salman na sequência do assassinato de Khashoggi. Ele trouxe consciência sobre o Iémen. É bastante revoltante que a Netflix tenha retirado um dos episódios por criticar a Arábia Saudita.”

 

Num comunicado divulgado, a Netflix defende a sua decisão dizendo que, apesar de apoiar a liberdade artística, eliminou “este episódio na Arábia Saudita depois de termos recebido uma solicitação legal válida e para poder cumprir a lei local".

Também a diretora da Human Rights Watch, no Médio Oriente e Norte de África, Sarah Leah Whitson, afirmou que a defesa da Netflix de apoiar a liberdade artística “não significa nada se se cede às exigências de funcionários do Governo que não acreditam na liberdade dos seus cidadãos".

Todo o artista cujo trabalho aparece na Netflix deve ficar indignado com o facto de a empresa ter concordado em censurar um programa de comédia porque a realeza da Arábia se queixou disso”, pode ler-se ainda na sua publicação no Twitter.

 

O episódio, que já não está disponível na Arábia Saudita, pode ser visto no YouTube e ainda noutros países.