O nepalês Kami Rita Sherpa voltou a chegar ao cume do Evereste nesta terça-feira, alcançando o feito pela vigésima quarta vez. Esta é a segunda vez que Kami atinge o ponto mais alto do mundo na mesma semana, depois de lá ter chegado no dia 15 de maio.

Para subir os 8.848 metros o montanhista utilizou o percurso mais famoso, que aborda o Evereste pelo lado sudeste. O caminho foi desvendado em 1953 pelos exploradores Edmund Hillary e Sherpa Norgay.

Kami bateu o seu próprio recorde, que antes desta semana se fixava nas 22 subidas. No comunicado oficial o nepalês afirma querer voltar ao Evereste pelo menos mais uma vez, para atingir as 25 escaladas. O novo recordista diz que, aos 49 anos, ainda se sente forte o suficiente para fazer mais uma subida. 

A primeira vez que Kami atingiu o ponto mais alto do mundo foi em 1994. O alpinista confessa que, na altura, nunca lhe passou pela cabeça conseguir este recorde.

Kami Rita pertence ao povo Sherpa, uma comunidade que vive numa das zonas mais inóspitas do planeta, entre as montanhas mais altas da cordilheira dos Himalaias. Os Sherpa são frequentemente requisitados para ajudar os turistas a escalarem o Evereste, uma vez que conhecem a zona como ninguém. Por altura das primeiras grandes expedições às montanhas daquela zona do Nepal, os Sherpas ficaram conhecidos como guias e carregadores dos alpinistas que exploravam os Himalaias.

Kami explica que seria difícil para outros alpinistas chegar ao Evereste sem a ajuda dos Sherpas, lamentando que os estrangeiros deem entrevistas onde apregoam que a subida é fácil, esquecendo-se da ajuda dos locais. 

Eles esquecem-se da contribuição dos Sherpas”, disse Kami Rita sobre os outros montanhistas

O novo recordista explicou a preparação que cada subida requer, dizendo que deve haver um respeito pelas entidades divinas que, acredita Kami, habitam cada montanha.

Conhecidos por uma forte crença espiritual, os Sherpas acreditam que cada montanha é personificada por uma deusa. Como tal, antes de cada escalada deve ser feita uma oração onde se pede perdão à divindade por invadir o espaço.

Meses antes de iniciar a subida comecei a rezar e a pedir perdão [à deusa] porque teria que pôr os meus pés no corpo dela”, disse Kami.

Em perseguição ao novo recorde está Nigma Nuru, também ele um membro da etnia Sherpa e que já escalou o Evereste por 21 vezes, estando programada uma vigésima segunda subida à montanha ainda este ano. A abordagem será feita pelo lado chinês da montanha.