O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, anunciou que renunciou ao cargo, por razões de saúde, confirmando as notícias que já tinham sido avançadas pela televisão japonesa NHK e outros 'media' nipónicos.

A decisão surge na sequência de uma recaída da doença crónica, colite ulcerosa, de que sofre há vários anos.

"Não posso ser primeiro-ministro se não posso tomar as melhores decisões para as pessoas. Decidi renunciar ao meu cargo", afirmou Shinzo Abe, de 65 anos, em conferência de imprensa citada pela Reuters.

Shinzo Abe tornou-se o primeiro-ministro mais jovem do Japão em 2006, aos 52 anos, mas sua primeira passagem terminou abruptamente um ano depois, já devido à doença inflamatória intestinal. De regresso ao cargo seis anos depois, lidera o Governo japonês desde final 2012, um recorde de longevidade para um primeiro-ministro japonês.

Durante o seu último mandato, UE e Japão finalizaram um acordo de comércio livre, em vigor desde fevereiro de 2019, que abrange 639 milhões de cidadãos e um comércio de bens avaliado em 135 mil milhões de euros e de serviços na ordem dos 53 mil milhões de euros.

Questionado hoje pelos jornalistas durante a conferência de imprensa, Abe escusou-se a avançar nomes de um eventual sucessor, nem tão pouco adiantou quando é que abandonará o cargo, no qual deverá permanecer até que um novo líder do partido no poder, o Partido Liberal Democrático, seja eleito e o seu nome formalmente aprovado como primeiro-ministro pela câmara baixa do parlamento.

Shigeru Ishiba, um ex-ministro da defesa, de 63 anos, e arquirrival de Abe, é o líder favorito nas sondagens entre os potenciais sucessores, embora seja menos popular dentro do partido no poder.

As preocupações sobre o problema crónico de saúde de Abe voltaram à discussão pública desde o início do verão e intensificaram-se neste mês, quando deu entrada por duas vezes num hospital de Tóquio, para realizar exames.

UE agradece a Shinzo Abe contributo para reforço das relações

Os presidentes do Conselho Europeu e da Comissão Europeia agradeceram hoje a Shinzo Abe o seu contributo para o reforço das relações entre União Europeia e Japão, desejando-lhe saúde, após o anúncio da resignação do primeiro-ministro japonês.

“Gostaria de agradecer ao primeiro-ministro Shinzo Abe a parceria próxima e forte que UE e Japão construíram sob a sua liderança”, escreveu na sua conta oficial na rede social Twitter o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

Sublinhando que Abe “ajudou a tornar o Japão um pilar do sistema multilateral de hoje”, o presidente do Conselho Europeu deseja-lhe também “saúde”, depois de o primeiro-ministro japonês ter explicado que renuncia ao cargo dado ter sofrido uma recaída da sua doença crónica, colite ulcerosa.

“Desejo-lhe saúde e espero encontrá-lo de novo em breve, meu amigo”, conclui Charles Michel.

No mesmo tom, e recorrendo igualmente à sua conta oficial na rede social Twitter, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, publicou uma mensagem na qual agradece a Shinzo Abe “a sua dedicação e contributo para o reforço das relações entre UE e Japão”.

“Sob a sua liderança, a nossa parceria nunca foi tão forte e crucial”, completa Von der Leyen, expressando também votos de “boa saúde” ao primeiro-ministro japonês cessante.

Rússia destaca “contribuição inestimável” de Abe nas relações russo-japonesas

A Rússia lamentou a renúncia do primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, hoje anunciada por razões de saúde, destacando a “contribuição inestimável” do político para as relações entre Moscovo e Tóquio, turbulentas devido a diferendos que remontam a 1945.

O porta-voz do Kremlin (Presidência russa), Dmitri Peskov, também elogiou Shinzo Abe pela “fidelidade ao princípio de querer sempre resolver os assuntos em desacordo, mesmo os mais difíceis, exclusivamente através do diálogo", segundo citaram as agências russas.

"Esperamos que o seu sucessor esteja igualmente empenhado em continuar o desenvolvimento das relações russo-japonesas", acrescentou o representante.

As relações entre a Rússia e o Japão têm sido historicamente marcadas por um contencioso territorial sobre quatro ilhas do arquipélago das Curilas, composto por mais de 50 ilhas.

Chamadas de "Kurilas do Sul" pela Rússia e "Territórios do Norte" pelo Japão, estas ilhas vulcânicas localizadas entre o mar de Okhotsk e o Oceano Pacífico estão no centro de tensões territoriais que impedem a assinatura de um tratado de paz desde o final da Segunda Guerra Mundial.

Tóquio considera que as quatro ilhas, que contam com cerca de 20 mil habitantes e que foram anexadas pela então URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) em 1945, são uma “parte integrante do território do Japão”.

Nos últimos anos, o Presidente russo, Vladimir Putin, e Shinzo Abe reuniram-se em várias ocasiões para tentar resolver este contencioso, mas sem grandes avanços.

Mesmo assim, os dois países têm manifestado esforços no sentido de dar continuidade às discussões.

Em 2019, os chefes da diplomacia dos dois países reuniram-se várias vezes para tentar encontrar uma solução para esta disputa territorial.

/ AM - notícia atualizada às 12:59