Uma equipa das Nações Unidas afirma que pelo menos 219 morreram nas manifestações violentas na Tunísia, durante as últimas semanas, que levaram à fuga do presidente Zine al-Abidine Ben Ali no mês passado.

Bacre Waly Ndiaye, que chefia esta equipa, disse, citado pela BBC, que destas vítimas pelo menos 72 morreram em motins prisionais.

Os números oficiais do governo tunisino apontam que o número de pessoas que perderam a vida é de 78, embora a oposição sublinhe que estes dados ficam aquém da realizada.

Esta equipa das Nações Unidas está a avaliar a situação do respeito pelos direitos humanos durante as últimas semanas de distúrbios na Tunísia e sublinhou que o número de vítimas ainda poderá subir.

Os protestos iniciaram-se de Dezembro. Apesar da fuga do presidente, que estava no poder há 23 anos, e da formação de um governo de unidade nacional, parte da população continua a exigir que todos os elementos presentes no actual executivo ligados ao anterior deixem o poder.

O primeiro-ministro Mohammed Ghannouchi já assegurou que serão realizadas eleições dentro de meio ano.

Sinagoga incendiada

De acordo com a agência Reuters, uma sinagoga foi incendiada na cidade de Ghabes, durante a última noite.

«Condeno este acto e acredito que aqueles que o cometeram querem criar divisões entre judeus e muçulmanos na Tunísia, que vivem há décadas em paz», disse à agência noticiosa o porta-voz da comunidade judaica no país, Peres Trabelsi.

Os ataques deste tipo são raros na Tunísia, que tem uma das mais significativas comunidades judaicas entre os países da região.
Redação