Será mais uma prova da violência contra civis em Alepo, a que hoje foi reportada pelo Governo russo, depois da reconquista da cidade síria aos rebeldes e opositores do regime de Bashar al-Assad.

Foram encontradas valas comuns com dezenas de sírios torturados e assassinados. Muitos corpos estavam mutilados e a maioria tinham balas na cabeça”, descreveu o porta-voz do Ministério russo da Defesa, o Major General Igor Konashenkov, em declarações aos jornalistas nesta segunda-feira.

O Governo russo assegurou que estes “crimes cometidos por terroristas” estão a ser “cuidadosamente documentados”“serão tornados públicos”.

Em Alepo, o exército russo terá, ainda, encontrado vários depósitos com “munições suficientes para armar vários batalhões”, além de um “vasto número de documentos”.

Antes da evacuação, os rebeldes terão planeado colocar minas em vários pontos da cidade, incluindo em brinquedos, segundo o general russo.

Nos dias antes da libertação, quando se estavam a organizar corredores de autocarros desde as zonas controladas pelos rebeldes, os ‘opositores moderados’ prepararam virtualmente o território, colocando minas em todo o lado, desde ruas, entradas de prédios, carros, motas e até brinquedos. E tinham tempo e munições para isso”, descreveu.  

Igor Konashenkov acrescentou, igualmente, que as últimas informações obtidas pelas forças russas no terreno, que integraram as operações humanitárias, vão “derrubar vários mitos que andaram a alimentar a comunidade ocidental ao longo de vários anos”.

"As primeiras avaliações estão a ser literalmente chocantes”, descreveu o general russo, que disse não terem encontrado até ao momento nenhum “capacete branco”, uma força civil e voluntária de Alepo que se dedicava ao resgate de civis, particularmente dos escombros.

Não conseguimos identificar até ao momento nenhum dos voluntários muitas vezes designados de capacetes brancos, que já tiveram direito a promessas de tapetes vermelhos em Paris e Londres e são candidatos ao Nobel da Paz”, ironizou.

A evacuação de Alepo terminou no passado dia 23, com cerca de 35 mil pessoas, entre as quais mais de 8.000 crianças foram retiradas da cidade, numa operação conduzida pelo regime sírio com o apoio da coligação e seguida por várias organizações humanitárias no terreno.