A Rússia afirmou que a aviação síria bombardeou na terça-feira, durante uma hora, um depósito de armas dos rebeldes onde estava uma fábrica de produção de armas “tóxicas”.

Segundo os meios russos de controlo do espaço aéreo, ontem [terça-feira], entre as 11:30 e as 12:30, hora local, a aviação síria bombardeou na zona de Khan Cheikhoun um grande depósito de armamento dos terroristas (…). Na zona desse depósito encontrava-se uma fábrica para produção de minas com substâncias tóxicas”, informou o porta-voz do Ministério de Defesa russo, Igor Konashenkov.

A Rússia negou na terça-feira que a sua aviação tivesse bombardeado a zona e realizado um ataque contra os rebeldes.

Boris Johnson acusa regime de Damasco de ataque

O chefe da diplomacia britânica, Boris Johnson, responsabilizou o regime de Damasco pelo ataque com armas químicas contra a localidade de Khan Cheikhoun, no norte da Síria, e que provocou 72 mortos, entre os quais vinte crianças.

Todas as provas que vi indicam que foi o regime de Assad e com total conhecimento sobre o uso de armas ilegais, num ataque bárbaro contra as pessoas”, disse Johnson aos jornalistas antes da conferência internacional sobre a Síria, em Bruxelas.

O número de vítimas mortais do bombardeamento químico de terça-feira em Khan Cheikhoun, no norte da Síria, subiu para 72, incluindo 20 crianças, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos esta quarta-feira.

ONU pede investigação sobre ataque químico

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu uma “investigação clara” para “eliminar todas as dúvidas” sobre a autoria do ataque químico.

Creio que necessitamos de uma investigação clara para eliminarmos todas as dúvidas e precisamos que a responsabilidade tenha como base os resultados dessa investigação”, disse António Guterres antes da conferência internacional sobre a Síria em Bruxelas.

Os Estados Unidos, França e Reino Unido propuseram aos restantes membros do Conselho de Segurança da ONU um projeto de resolução a condenar o alegado ataque químico no norte da Síria.

O órgão de decisão máximo das Nações Unidos irá analisar a questão numa reunião de emergência prevista para a manhã desta quarta-feira.

Fontes diplomáticas disseram que os restantes países têm até ao início da reunião para expressar possíveis reservas sobre o texto.

O texto condena o ataque na localidade síria de Khan Cheikhoun, na província de Idleb, pede à Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) que informe rapidamente sobre a investigação em curso e exige às autoridades sírias que colaborem com os especialistas internacionais.

/ AM