Com a retirada das forças militares dos Estados Unidos da Síria e o crescimento da ofensiva militar turca contra as forças curdas no nordeste do país, o combate ao Estado Islâmico pode estar em risco, com centenas de membros do Daesh a escaparem das prisões.

As tropas norte-americanas que operavam no nordeste da Síria, e que Donald Trump mandou desmobilizar, mantinham controlada a força do Estado Islâmico, cuja ocupação veio a diminuir ao longo dos últimos anos.

A Forças Democráticas Sírias (SDF), uma aliança de milícias que junta sírios e curdos, tinham nas suas prisões e campos de detenção milhares de membros do Estado Islâmico que se renderam, bem como outros tantos milhares de familiares destes.

Com a retirada, por indicação de Donald Trump, das forças militares da região, diminuiu o controlo e aumentou um conflito, histórico, entre turcos e curdos. As forças da Turquia invadiram, na semana passada, o nordeste da Síria, com os seus aliados sírios, aumentando a tensão no país.

Com esta ofensiva crescente, aquilo que se acreditava ser o caminho para o fim do Estado Islâmico mostrou uma mudança de direção: poucos dias após a invasão turca contra os curdos sírios, centenas de membros do Daesh que estavam nos campos de detenção conseguiram escapar, conta a CNN.

A pressão não para de crescer e as SDF, que estão a ser alvo da ofensiva, vão, provavelmente, perder o controlo, levando ao escape de mais homens do Estado Islâmico.

Antes das recentes alterações impostas pelo presidente dos Estados Unidos e da intervenção turca, o autoproclamado Estado Islâmico estava – depois de ter controlado mais de dez milhões de pessoas – circunscrito a uma cidade remota: Baghouz.

Se os conflitos, que agora mudaram de direção, continuarem a assolar o nordeste da Síria, a probabilidade de o Estado Islâmico voltar a ganhar terreno é grande, invertendo o caminho feito até agora na tentativa de acabar com a força do Daesh.

O presidente Donald Trump anunciou, este sábado, que os Estados Unidos aplicarão “sanções severas” contra a Turquia, pela ofensiva militar contra as milícias curdas na Síria.