Um médico sírio suspeito de “crimes contra a humanidade” e de torturar prisioneiros do regime foi detido em 19 de junho na Alemanha, onde vive desde 2015, anunciou esta segunda-feira o gabinete do procurador-geral federal.

Alaa M. foi detido em Hesse, com base num mandado de prisão emitido por um juiz do tribunal federal, estando acusado de ter cometido um “crime contra a humanidade” num manifestante, torturado até a morte, em 2011, numa prisão secreta do regime de Bashar al-Assad, em Homs, especifica em comunicado o Ministério Público de Karlsruhe, responsável pelos casos mais sensíveis do país.

O médico sírio está atualmente em prisão preventiva.

Alaa M. trabalhou como médico numa prisão militar dos serviços secretos, onde é suspeito de ter torturado, desde 23 de outubro de 2011, um homem detido por ter participado numa manifestação contra o regime de Damasco.

No final de uma ‘sessão de tortura’, (o detido) sofreu um ataque de epilepsia, tendo um companheiro de cela pedido a um guarda que avisasse um médico”, relata a procuradoria-geral alemã.

 

"Após a sua chegada, o acusado, que estava presente como médico, bateu repentinamente em A. com um cano de plástico”, refere a mesma fonte.

Mesmo depois de [o detido] ter caído, Alaa M. continuou a espancá-lo, dando pontapés na vítima. No dia seguinte, o estado de saúde de A. deteriorou-se consideravelmente”, segundo o Ministério Público Federal.

"Depois de os colegas detidos terem solicitado tratamento médico, o acusado [o médico sírio]​ apareceu novamente, desta vez acompanhado por outro médico da prisão. Ambos, cada um armado com uma mangueira de plástico, bateram em A., enfraquecido, que já não conseguia sequer andar sozinho, até ele perder a consciência”, descreve o Ministério Público.

A vítima foi enrolada num cobertor por vários guardas e levada. A vítima morreu pouco depois”, refere a procuradoria.

Alaa M. deixou a Síria em meados de 2015 e foi para a Alemanha, como centenas de milhares de refugiados sírios, onde passou a trabalhar como médico.

Dois ex-membros dos serviços secretos sírios, incluindo um ex-oficial de alto escalão, estão atualmente a ser julgados no tribunal de Coblença (Alemanha), acusados de crimes contra a humanidade e de cumplicidade em crimes contra a humanidade por várias dezenas de mortes num centro de detenção e atos de tortura a vários milhares de detidos.

/ CE