O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse esta segunda-feira esperar obter um cessar-fogo para acabar com a violência na região síria de Idlib durante a reunião de quinta-feira com o seu homólogo russo, Vladimir Putin.

Vou a Moscovo na quinta-feira e discutirei os desenvolvimentos (na Síria) com Putin. Espero que lá sejam tomadas as medidas necessárias, como um cessar-fogo, e que encontremos uma solução para esse caso", disse Erdogan durante um discurso em Ancara.

Por seu lado, o Kremlin declarou que a cooperação com a Turquia na Síria é "de grande importância" e confirmou que a reunião entre os presidentes turco e russo será realizada na Rússia, na quinta-feira, para discutir as tensões na região síria de Idlib.

Mantemos nosso compromisso com os acordos de Sochi, somos pela integridade territorial da Síria, apoiamos a luta contra os terroristas (…) e naturalmente damos grande importância à cooperação com nossos parceiros turcos", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse durante uma conferência de imprensa.

O exército turco anunciou esta segunda-feira que continua a sua operação militar na Síria em retaliação contra a morte de 33 soldados na sexta-feira passada num bombardeamento do exército sírio a posições turcas em Idlib, a última província onde ‘jihadistas’ rebeldes, apoiados pela Turquia, resistem ao regime.

"Dois aviões de combate, dois ‘drones’, oito helicópteros, 135 tanques, cinco sistemas de defesa antiaérea e 2.557 soldados do regime (do presidente sírio, Bashar Al-Assad) foram neutralizados", anunciou o ministro da Defesa turco, Hulusi Akar, numa nova atualização da operação “Escudo da Primavera”, lançada na última sexta-feira.

O ministro disse, num comunicado, que a operação continua com sucesso e argumentou que a presença de tropas turcas na Síria está em conformidade com a legislação e acordos internacionais.

Hulusi Akar também pediu à Rússia, que protege Al-Assad militar e diplomaticamente, que force o regime sírio a interromper os seus ataques.

Com o apoio de Moscovo, Damasco realiza desde abril uma ofensiva em Idlib, que reforçou em dezembro, para recuperar o último grande bastião rebelde e ‘jihadista’.

A Turquia, que apoia alguns rebeldes e tem forças no noroeste sírio, tem insistido numa suspensão da ofensiva.

Ancara, que acolhe mais de 3,6 milhões de refugiados sírios no seu território, teme que a violência naquela província, fronteiriça à Turquia, provoque um novo fluxo de refugiados.

A escalada da tensão em Idlib está a aumentar os temores da comunidade internacional, enquanto a situação humanitária lá já é catastrófica.

Desde o início da ofensiva do regime sírio em dezembro, quase um milhão de pessoas foram deslocadas nessa região fronteiriça da Turquia, um êxodo de escala sem precedentes em tão pouco tempo desde 2011, quando se deu o início deste conflito que matou mais de 380.000 pessoas.

Desencadeada em 2011, a guerra na Síria causou mais de 380.000 mortos e milhões de deslocados e refugiados.

/ SS