Os Estados Unidos lançaram na quinta-feira dezenas de mísseis de cruzeiro contra um aeródromo na Síria, no primeiro ataque direto contra o regime de Bashar al-Assad desde que começou a guerra civil.

Segundo um responsável da Casa Branca, o ataque com "59 mísseis" foi feito contra a base aérea de Shayrat, que está "associada ao programa" sírio de armas químicas e "diretamente ligada" aos "horríveis acontecimentos" de terça-feira.

De acordo com o governador de Homs, província no centro do país onde se situa a base visada, o ataque norte-americano matou pelo menos três soldados e dois civis. Em comunicado, o exército sírio acrescentou que o ataque fez seis mortos.

Já a agência de notícias estatal síria garante que o ataque norte-americano matou nove civis, incluindo quatro crianças, nas áreas próximas da base aérea atacada.

O ministro da Defesa russo precisou que o ataque matou quatro soldados sírios e deixou dois desaparecidos. Há ainda seis feridos.

Segundo a mesma fonte, apenas 23 mísseis acertaram no alvo e não se confirmou ainda onde acertaram os outros 36. O governo russo classifica assim a eficácia militar do ataque de “extremamente baixa”.

A televisão estatal russa anunciou que o ataque norte-americano destruiu nove aviões, mas o ministro da Defesa russo precisou que foram apenas seis. Nas imagens difundidas pela Rossiya 24, veem-se crateras no chão e destroços.

Testemunhas citadas pela Reuters dizem que o ataque atingiu também a cidade de Khan Sheikhoun, precisamente o local onde se realizou o ataque químico na terça-feira.

A oposição síria congratulou-se com o ataque norte-americano e pediu a continuação dos bombardeamentos até à "neutralização da capacidade" do regime de lançar ataques.

A coligação da oposição saúda o ataque e pede a Washington que neutralize a capacidade [do Presidente síro, Bashar al-] Assad de realizar bombardeamentos", indicou o porta-voz Ahmad Ramadan, acrescentando: "Esperamos que os ataques continuem".

Putin diz que ataques são ilegais

O presidente russo, Vladimir Putin, acredita que o ataque norte-americano viola as leis internacionais e que o mesmo danificou seriamente as relações entre Rússia e EUA.

Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, citado pela imprensa russa, Putin considera este ataque dos EUA é uma "agressão contra uma nação soberana" com o "pretexto falso" e tentativa "cínica" de distrair o mundo das mortes no Iraque.

Peskov afirmou ainda que a Rússia não acredita que a Síria tenha armas químicas na sua posse e que o ataque norte-americano criou sérios obstáculos para a criação de uma coligação internacional para combater o terrorismo, ideia defendida por Vladimir Putin.

A Rússia pediu uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas para discutir o ataque de hoje.

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo descreveu o ataque como “irrefletido” e anunciou a suspensão do acordo de segurança aérea que mantinha com os EUA.