A evacuação do leste de Alepo, na Síria, foi suspensa esta manhã, 24 horas depois de ter começado.

Uma testemunha disse à agência Reuters que foram ouvidas pelo menos quatro explosões e tiros no local onde os autocarros e ambulâncias estão a recolher pessoas.

Segundo a televisão estatal síria, a suspensão terá sido motivada pela intenção dos rebeldes deixarem Alepo com reféns.

O jornal britânico The Guardian adianta que os rebeldes também terão impedido a retirada de feridos de duas aldeias xiitas, na província de Idlib, como tinha sido acordado.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, foram já retiradas da cidade nesta operação 8.500 pessoas. Mas a Cruz Vermelha alerta que, no leste de Alepo, poderão estar retidos ainda 50 mil habitantes.   

A agência russa Interfax, que cita o Ministério da Defesa da Rússia, noticia entretanto que a retirada de combatentes rebeldes de Alepo e das famílias está concluída.

O ministério russo adianta que mais de 9.500 pessoas, incluindo 4.500 combatentes rebeldes e 337 feridos, abandonaram a zona leste de Alepo e que todas as mulheres e crianças foram retiradas.

O Ministério russo da Defesa admite, no entanto, que alguns combatentes rebeldes radicais permaneceram em Alepo e dispararam contra as tropas sírias em algumas zonas da cidade.

Putin quer cessar-fogo global

O presidente russo, Vladimir Putin, disse esta sexta-feira que, após a evacuação da cidade de Alepo, a "próxima etapa" vai ser um cessar-fogo "em todo o território sírio".

“Nós estamos a conduzir intensas negociações com os representantes da oposição armada, graças à mediação da Turquia”.

 

“Conseguimos atingir um acordo, após contactos telefónicos com Erdogan (presidente turco) para propor às diferentes partes do conflito um novo local para as negociações de paz e que podem vir a decorrer em Astana, na capital do Cazaquistão”.