As forças governamentais e da oposição na Síria chegaram esta quinta-feira de madrugada a novo acordo para a retirada de civis e combatentes rebeldes do leste de Alepo, a última zona da cidade controlada pelos insurgentes, disseram fontes das duas partes.

"Foi conseguido um acordo para a saída dos rebeldes, que está a ser preparada agora", disse um responsável militar das forças governamentais à agência de notícias AFP.

O acordo, envolvendo combatentes e civis, está também a ser noticiado pela agência turca Anadolu, que cita fontes dos serviços secretos da Turquia e chefes dos rebeldes.

As fontes dos serviços secretos disseram à agência que o acordo foi conseguido após conversações entre a Turquia e a Rússia, países que apoiam as forças da oposição e do regime sírio, respetivamente.

A televisão estatal síria noticia que cerca de quatro mil rebeldes e as respetivas famílias vão ser retirados de Alepo, numa altura em que os preparativos para a operação continuavam em curso ao início da manhã.

A perda de Alepo vai representar mais um golpe na estratégia dos rebeldes, que conquistaram a parte oriental da segunda maior cidade síria em 2012, mas estão agora confinados a um pequeno reduto, na sequência da ofensiva lançada pelas forças do regime de Bashar al-Assad em meados de novembro.

Apesar de existirem indicações de que a evacuação de Alepo ainda não começou, ativistas sírios acusaram as forças governamentais de terem alvejado ambulâncias que tentavam sair da cidade, provocando três feridos.

Na terça-feira tinha sido anunciado um acordo de cessar-fogo em Alepo, após negociações entre os militares russos, os serviços de informações turcos e os rebeldes sírios da zona leste da cidade. O acordo também previa a retirada de civis e de rebeldes e o seu transporte para a província vizinha de Idleb (noroeste).

No entanto, algumas horas depois do anúncio do acordo, o cessar-fogo foi violado e o plano de evacuação adiado.

Desde março de 2011, o conflito sírio já causou mais de 300 mil mortos e levou ao êxodo de metade da população do país.

A Turquia, a Rússia e o Irão vão reunir-se a 27 de dezembro em Moscovo para discutir uma solução política para a guerra na Síria, anunciou na quinta-feira o chefe da diplomacia turca.

"Estamos a procurar arduamente uma forma que garanta um cessar-fogo em todo o país e a abertura de negociações para uma solução política", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlut Cavusoglu, em declarações ao canal de televisão TGRT Haber, prometendo que Ancara vai continuar com os seus esforços.

"Por essa razão, no fim do mês, no dia 27 de dezembro em Moscovo, vamos ter um encontro tripartido com a Turquia, Rússia e Irão", referiu.

Em novembro, as forças do regime sírio, apoiados pelos seus aliados russos, lançaram uma ofensiva para tentar reconquistar a zona leste de Alepo (a segunda maior cidade da Síria), um bastião da rebelião síria.