O exército sírio retomou esta quarta-feira os combates em Alepo após uma ofensiva das forças rebeldes, informou uma fonte militar russsa citada pela agência France Presse (AFP).

Os combates regressaram numa altura em que o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergueï Lavrov, previu que a "resistência" dos últimos rebeldes em Alepo durará mais "dois ou três dias", antes do fim dos mais de quatro anos de rebelião na segunda maior cidade síria.

"Espero que a situação seja regularizada em dois ou três dias... Os combatentes vão cessar a sua resistência daqui a dois ou três dias", declarou Lavrov no decorrer de um fórum diplomático, citado pelas agências de notícias russas.

O acordo alcançado terça-feira entre o governo sírio e as forças rebeldes previa que a retirada de civis e rebeldes da cidade síria de Alepo deveria ter começado esta quarta-feira de madrugada, mas está atrasada várias horas, noticiam as agências de notícias AFP e AP e meios de comunicação social locais.

Imagens transmitidas por televisões mostram os autocarros que deveriam transportar quem quisesse para fora da cidade parados juntos aos pontos de evacuação, sem avançar motivos para o atraso.

Também um repórter da AFP testemunhou no local que a retirada de rebeldes e civis de Alepo ainda não começou, sendo que estava prevista para as 5:00 locais (3:00 em Lisboa), de acordo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

De acordo com a agência Reuters, 20 autocarros continuam no local previsto, prontos para fazer o transporte, mas ainda não houve qualquer indicação de que a retirada vá avançar.

Ainda de acordo com a Reuters, a Rússia anunciou há momentos que cerca de seis mil civis, entre os quais duas mil crianças, abandonaram a cidade nas últimas 24 horas. Também de acordo com os russos, durante este período 366 rebeldes terão abandonado Alepo. 

França pede presença de observadores da ONU

O ministro francês dos Negócios Estrangeiros exigiu, entretanto, a presença de observadores das Nações Unidas no terreno, para supervisionarem a retirada de civis e combatentes rebeldes e evitar que estes últimos sejam "massacrados".

Jean-Marc Ayrault disse, esta quarta-feira de manhã, em entrevista ao canal de televisão France 2, que a retirada está a gerar confusão e defendeu que é imperativo que a operação seja gerida pela ONU e que outras organizações humanitárias possam intervir.

“A França pede observadores das Nações Unidas para haver garantia de que a retirada de civis é uma prioridade, mas também para que os combatentes não sejam massacrados", disse o ministro.

"É preciso também que organizações humanitárias como a Cruz Vermelha, a Unicef, possam intervir", acrescentou.

Também o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, apelou esta quarta-feira de manhã, em Estrasburgo, ao fim das hostilidades em Alepo, “pelo menos” o tempo suficiente para permitir a retirada de civis daquela “grande cidade em ruínas”.

Dirigindo-se ao Parlamento Europeu, num debate sobre a cimeira de chefes de Estado e de Governo da União Europeia agendada para quinta-feira em Bruxelas, Juncker apontou que “o Conselho Europeu também vai discutir a guerra na Síria” e observou que “a situação em Alepo, apesar dos desenvolvimentos recentes, é grave”.

“Há relatos de massacres, de crianças presas entre os escombros de edifícios colapsados. Apelo às partes em conflito a pararem as hostilidades, pelo menos durante um momento, pelo menos o tempo suficiente para lembrar a humanidade e permitir aos civis, às mulheres e às crianças, que deixem em segurança aquela grande cidade em ruínas”, declarou o presidente do executivo comunitário.

Aline Raimundo / com Lusa