O que Barack Obama ameaçou mas não foi capaz de fazer, Donald Trump concretizou e esse gesto é quanto baste para um dos sobreviventes do ataque com gás sarin a um subúrbio de Damasco, no verão de 2013, para se ligar ao presidente dos Estados Unidos por toda uma vida.

Quando foi pai, vou chamar Donald Trump ao meu filho. Este homem é um herói, tem coragem”, disse Qusai Zakarai, que teve melhor sorte que os centenas de compatriotas, cerca de 1300, que morreram à mercê do ataque químico.

A “linha vermelha” de Obama não passou de uma ameaça, por isso, foi com satisfação que, à distância segura da Alemanha, onde vive depois de conseguir fugir do seu país em 2014, soube do ataque desta madrugada à base aérea síria.

Isto vai dar esperança às pessoas. Tem tudo a ver com esperança. Isto vai mudar as regras do jogo. É uma nova era que mostra que a América vai realmente fazer alguma coisa, que há mesmo linhas vermelhas na Síria. Como costuma dizer Donald Trump: ‘Isto é enorme’”, considerou Zakarai, em declarações ao Telegraph.

Menos otimista está um sobrevivente do ataque mais recente, em Idlib. Alaa al-Youssef, de 27 anos, que perdeu mais de 19 familiares no ataque químico de terça-feira, receia que a resposta dos Estados Unidos seja apenas “cosmética”.

De que vale um ataque isolado a Shayart quando há mais 15 bases?”

O mesmo não pensa outro opositor do regime de Bashar al-Assad, dizendo que ficou tão feliz que só lhe apetecia ir gritar o nome de Donald Trump para a rua.

Nusra [grupo islâmico que pertencia à al-Qaeda e que controla parte da cidade de Idlib] é que não devia gostar”, brincou Ali Hamadan.