O Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) confirmou esta sexta-feira o fim da operação de retirada de civis e combatentes do leste da cidade síria de Alepo, de onde saíram 35.000 pessoas, segundo os seus registos.

A operação foi concluída esta noite e entre as pessoas retiradas há 100 feridos e doentes graves, segundo um comunicado do Comité Internacional da Cruz Vermelha.

Estas pessoas foram retiradas com a ajuda do Comité Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho Sírio (SARC) e levadas para zonas rurais da província de Alepo.

A nossa prioridade, além de ajudar os mais vulneráveis, foi garantir que os civis saíam por sua livre vontade", disse a diretora da delegação do Comité Internacional da Cruz Vermelha, Marianne Gasser.

Há comunidades cujos bairros foram devastados pela violência e famílias que lutaram durante meses para encontrar segurança, alimentação, assistência médica e um refúgio adequado. Eles pareciam desesperados para sair, embora a situação fosse extremamente dolorosa e confusa", acrescentou.

Devido às baixas temperaturas, as pessoas começaram a queimar tudo o que encontravam, incluindo mantas e roupas, para se aquecerem enquanto esperavam, acrescentou o comunicado.

O texto refere que a retirada, iniciada na quinta-feira, esteve bloqueada várias vezes devido às negociações entre as diferentes partes no terreno e que esteve ligada a uma operação similar nas localidades de Fua e Kefraya, na província vizinha de Idleb.

Um total de 1.200 pessoas destas localidades, a maioria mulheres, menores e idosos, foram retiradas "temporariamente" em direção a Aleppo, indicou o Comité Internacional da Cruz Vermelha.

Libertação de Alepo é "componente importante" para resolução do conflito

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou esta sexta-feira que a libertação da cidade de Alepo é uma “componente importante” da resolução do conflito na Síria.

A libertação de Alepo é uma componente importante de normalização plena na Síria e também, creio, na região em geral”, disse Putin durante uma reunião com o ministro da Defesa, Sergei Shoigu, que o informou do fim da operação naquela cidade.

Vladimir Putin sublinhou que a operação militar em Alepo, em particular a parte humanitária, contou com a “participação direta, para não dizer decisiva, pelos militares russos.

72 civis mortos em ataques aéreos turcos contra Estado Islâmico 

Ataques aéreos da Turquia contra o grupo extremista Estado Islâmico no norte da Síria mataram 72 civis na quinta-feira, 21 dos quais crianças, disse o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

Os raides da aviação turca, que apoia rebeldes sírios no terreno, tiveram como alvo a cidade de al-Bab, na província de Alepo.

Para além dos civis, na quinta-feira, o observatório (uma organização não-governamental) tinha dito que pelo menos 61 pessoas morreram desde quarta-feira em combates entre o Estado Islâmico e rebeldes apoiados pelos turcos em al-Bab.