Muitos pais se questionam como deverão estimular os seus filhos, para que sejam o melhor que conseguirem ser na vida e na escola. Julian Stanley era professor de psicometria, nos idos anos de 1968, quando conheceu um miúdo brilhante, Joseph Bates. Na altura com 12 anos, foi este rapaz que o inspirou a desenvolver um longo estudo, durante 45 anos, a acompanhar o desenvolvimento de crianças sobredotadas. 

Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, ou a cantora Lady Gaga, fizeram parte deste estudo, mas foi mesmo Joseph Bates, que estudava Computação na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e o facto de ser brilhante, mas estar ao mesmo tempo entediado, que despertou no professor a necessidade de investigar.

Com o nome Estudo de Jovens Matematicamente Precoces (SMPY, da sigla em inglês), este estudo, aqui citado pela BBC, foi levado a cabo no Johns Hopkins University's Center for Talented Youth (Centro para Jovens Talentosos da Universidade Johns Hopkins), em Baltimore, acompanhou o percurso de mais de 5 mil crianças sobredotadas. 

Chegou-se à conclusão de que não é, como sempre se preconizou, o trabalho duro, a prática intensiva e focada que levam à perfeição (com a ajuda, em muitos casos, do estatuto socioeconómico). Mas sim a capacidade cognitiva inicial, traduzida na forma como se resolvem os problemas e se tomam decisões corretas. 

Daí ser crucial os pais estimularem as habilidades dos filhos desde muito cedo. Desde cedo, mas sem pressão. Só porque o seu filho possa revelar-se mais inteligente do que a maioria das crianças do infantário, não deve sobrecarregá-lo para ser um génio. As consequências emocionais e nas relações interpessoais não seriam boas.

Há outras formas de incentivar, sem pressão, os filhos a reforçarem as suas habilidades e a aprofundarem os seus conhecimentos. Sendo felizes e bem sucedidos, como aconteceu com Joseph Bates, que se tornou num pioneiro em inteligência artificial. Eis algumas delas:

Deixá-los viver vários tipos de experiências

A novidade ajuda a motivar crianças muito inteligentes. Por isso, esponha o seu filho a vários tipos de experiências. Quanto mais viverem situações diferentes, fora do âmbito familiar e protegido, mais confiantes se tornarão e melhor vão lidar com os problemas que há no mundo e nas suas vidas. 

Estimular talentos e interesses

Tornar-se-ão mais resilientes no futuro se aprofundarem talentos desde tenra idade. Podemos estar a falar de um instrumento musical, de um desporto ou de outro tipo de competências artísticas.

Agora obrigar o(a) filho(a) a ir para o Ballet, projetando neles aquilo que os próprios pais fizeram ou queriam fazer quando crianças, não. Isso é pressão para serem algo que não são.

Apoiar necessidades emocionais 

"A curiosidade aguça o engenho". Já diz o ditado popular. Se a criança faz muitas perguntas, isso é bom. Os pais deverão ter paciência para elas e ajudar a explicar. É importante para o desenvolvimento das crianças enquanto pessoas e na escola.

Elogiar o esforço, não a habilidade

Trata-se de desenvolver uma "mentalidade de crescimento". Como? Parabenizar a aprendizagem e não o resultado do teste. Porque o esforço pode ter sido imenso, mas o teste ter ocorrido num dia mau. 

É fundamental perceber que as crianças aprendem a reagir às situações através do comportamento dos pais.

Daí que a disposição para aprender mereça reforço positivo. 

O fracasso faz parte

Quando a criança erra, não se deve penalizar. Os erros devem ser encarados blocos de construção na aprendizagem e como oportunidades para crescer, para fazer melhor na vez seguinte.

Cuidado com os rótulos

Mais uma coisa que os miúdos acabam por imitar os pais. Criar rótulos pode levá-los ao bullying ou aumentar a pressão que possam sentir face a uma desilusão.

Falar com os professores

É importante o trabalho conjunto entre pais e professores para que as crianças desenvolvam melhor as suas capacidades. Os alunos mais inteligentes normalmente precisam de materiais escolares e exercícios que os desafiem mais, ou de apoio extra, noutras situações e ainda de liberdade para aprenderem ao seu próprio ritmo.

Testar as habilidades

Trata-se de uma maneira de os pais contribuírem mais para o desenvolvimento mais rápido dos talentos das crianças.  

É uma boa forma, também, de detetar alguns problemas que elas possam ter: desde o défice de atenção, à hiperatividade ou a problemas como a dislexia, entre outros.

Quanto a filhos que possam mesmo ser sobredotados, há alguns indícios a seguir: terem uma memória fora de série, começarem a ler muito cedo, terem passatempos ou interesses pouco habituais na sua idade ou perceberem muito de determinado assunto. Para além disso, embora sendo pequenos revelarem consciência sobre questões a nível mundial e estarem, claro, sempre a fazer perguntas de "porquê isto" e "porquê aquilo". Normalmente, os pequenos génios também têm um bom sentido de humor, inventam novas regras para os jogos, gostam de controlar as situações e, não raras vezes, têm alguma apetência musical.