Uma brasileira de 38 anos foi resgatada de uma situação de sequestro e violência doméstica depois de mostrar nas redes sociais um pedido de ajuda secreto. Aconteceu no estado de São Paulo. A mulher viajava há sete meses com o homem, de 41 anos, num regime de sequestro e num contexto de violência doméstica.

Ainda antes de ter acesso à Internet e às redes sociais, a mulher mostrou a várias pessoas que ia encontrando na rua o sinal secreto de pedido de ajuda, mas ninguém o soube interpretar ou foi capaz de a libertar. O sinal era uma cruz desenhada na palma da mão.

Assim que teve acesso a Internet, a mulher publicou uma imagem da mão com a cruz desenhada, um símbolo usado para pedir ajuda de forma discreta e denunciar violência doméstica.

Ele bebia e me batia. Eu mostrava [o símbolo] para todo mundo que estivesse me vendo. Alguém que conhecesse o sinal iria entender. E deu certo”, disse a vítima ao canal de televisão TV TEM.

Na mesma entrevista, a mulher conta que é de Anápolis, estado de Goiás, e viajavam de Santa Catarina para Brasília, num camião carregado de madeira. Ela, enfermeira de profissão, viajava com o marido no camião há sete meses. A determinada altura, quis voltar para casa, mas foi impedida e mantida sob sequestro.

Sem o homem saber, a mulher acedeu às redes sociais e publicou a fotografia da mão, marcada com um X, e relatou a situação em que se encontrava. A publicação foi partilhada por diversas pessoas e chegou à Polícia Rodoviária Federal, que intercetou o camião na BR-153, na cidade de Bady Bassitt, estado de São Paulo.

Depois de ser detido, o homem confessou os crimes.

A mulher foi examinada, interrogada e conduzida a casa.

O X que mostra a vítima

O sinal para denunciar situações de violência doméstica de forma discreta foi criado em junho de 2020, em pleno contexto de pandemia e confinamento, altura em que as vítimas começaram a ter menos oportunidades para denunciar o tormento em que viviam.

A ideia é que a vítima desenhe um X vermelho na palma da mão e mostrá-lo, sempre que conseguir, quando, por exemplo, for comprar alimentos ou quando sair à rua. Quem se deparar com esta situação deve acionar as autoridades.

Manuela Micael