A polícia sueca deteve um homem por suspeitas de envolvimento no ataque que ocorreu em Estocolmo e que fez pelo menos quatro mortos e 15 feridos. Foi ao início da tarde desta sexta-feira que um camião abalroou várias pessoas numa movimentada rua da capital sueca, trazendo à memória do mundo os atentados que abalaram Nice e Berlim.

Numa conferência de imprensa, ao início da noite, as autoridades suecas informaram que o detido já foi identificado e que as suas caraterísticas físicas correspondem às do indivíduo cuja fotografia tinha sido divulgada pela polícia algumas horas antes.

Interrogámos algumas pessoas e detivemos uma pessoa. As caraterísticas deste indivíduo correspondem às do homem da fotografia que divulgámos anteriormente", frisou Jan Evensson, o agente que lidera o trabalho da polícia em Estocolmo.

A imagem em causa foi partilhada pela polícia poucas horas depois do ataque e mostra um homem de casaco, com um capuz na cabeça, presumivelmente a tentar esconder o rosto.

O jornal Aftonbladet avançou durante esta tarde que um homem, detido no norte de Estocolmo, terá confessado o crime. A polícia, porém, não confirmou esta informação, nem adiantou a identidade ou a nacionalidade do suspeito detido.

Mais tarde, a televisão pública sueca, SVT, avançou, citando fontes policiais, que se tratava de um cidadão do Uzbequistão, de 39 anos.

De resto, as autoridades sublinharam que vão continuar as operações de busca e não excluem a hipótese de haver mais do que um responsável por detrás deste ataque.

O caso está a ser tratado como um “ato terrorista” e o condutor do camião está a ser procurado como sendo um “terrorista”, explicou Jan Evensson

A hipótese em que estamos a trabalhar é a de que ele [condutor] é um terrorista. Não estou a dizer que é, mas estamos a trabalhar com base nessa hipótese."

Apesar de o nível de ameaça terrorista no país se manter inalterado, a polícia reforçou as medidas de segurança nos locais que são alvos potenciais deste tipo de ações e aumentou o controlo nas fronteiras. Jan Evensson também deixou o apelo para que os suecos não viagem para Estocolmo, a menos que isso seja "absolutamente necessário".

Queremos continuar a apelar às pessoas para que não viagem para Estocolmo, a menos que isso seja absolutamente necessário."

O ministro do Interior sueco, Anders Ygeman, anunciou depois que o governo decidiu impôr um controlo total nas fronteiras. Esta medida estará em vigor durante dias, mas poderá ser estendida para 20 dias. 

O chefe da polícia nas fronteiras, Patrik Engström, explicou no Twitter como vai ocorrer este controlo. O responsável disse que a medida será válida por dez dias e que o controlo vai ser feito a quem entre e a quem saia do país, incluindo cidadãos de outros países nórdicos e de outros países da União Europeia.

 

"O terrorismo nunca vai vencer", diz primeiro-ministro sueco

Poucos minutos depois da polícia, foi a vez do primeiro-ministro sueco, Stefan Lofven, dirigir-se ao país. O chefe do executivo nórdico sublinhou que a Suécia está unida na dor e na revolta, mas apelou aos cidadãos para não deixarem que o ódio contamine os valores da democracia.

Este tipo de atos nunca vai vencer. Sabemos que os nossos inimigos são estes assassinos bárbaros, não somos nós.”

Apesar de ainda não haver uma confirmação oficial da polícia, Stefan Lofven parece não ter dúvidas de que se tratou de um ato terrorista e foi nestes termos que deixou uma "mensagem clara".

 O objetivo do terrorismo é contaminar a democracia. A nossa mensagem é clara: vocês não nos vão derrotar, não vão governar as nossas vidas, nunca, nunca vão vencer.” 

Sofia Santana / notícia atualizada