Os eleitores suíços votaram contra o referendo que previa o fim da livre circulação com a União Europeia, medida que está em vigor desde 2002. As primeiras projeções avançadas pela SRF apontam uma vitória convincente do não, que tem mais de 60%. 

A proposta do Partido Popular da Suíça (SVP), que era vista como um importante teste à sociedade daquele país, também abrangia uma limitação de entrada de imigrantes, que atualmente representam cerca de 25% da força de trabalho suíça.

O SVP, partido de direita que é o que tem mais representação no parlamento, pretendia um regresso do controlo da imigração, utilizando alguns dos argumentos dos políticos que defendiam o Brexit.

Esta iniciativa deveria ter sido votada em maio, mas o referendo teve de ser anulado devido à pandemia provocada pelo novo coronavírus.

A proposta, intitulada "Iniciativa para uma Imigração Moderada", quer que o governo suíço suspenda um acordo bilateral existente com a União Europeia sobre a livre circulação de pessoas e assuma o controlo total da política de imigração do país.

Ao longo da campanha, o partido foi dizendo que as gerações mais jovens de imigrantes estavam a tirar o emprego aos suíços mais velhos, apropriando-se também das escolas, transportes públicos e fazendo com que a construção disparasse, resultando num aumento do preço das casas.

A oposição defendia que esta proposta iria impedir que jovens com capacidades tivessem os seus trabalhos.

A agência Reuters refere que cerca de 70% dos 2,1 milhões de imigrantes que vivem na Suíça são cidadãos da União Europeia, estando entre eles uma grande comunidade portuguesa. O país recebe ainda cidadãos de países como a Islândia, a Noruega ou o Liechtenstein, que, não fazendo parte da União Europeia, também pertencem ao Acordo Europeu de Livre Comércio.

Em sentido inverso, mais de 450 mil cidadãos suíços vivem em estados-membros da União Europeia.

Além da iniciativa de limitação à imigração, os suíços votaram sobre quatro outros temas: uma alteração à lei sobre a caça, a introdução da licença de paternidade paga, o aumento das deduções infantis nos Impostos Federais Diretos e a compra de novos aviões de combate.

Von der Leyen contratula-se com rejeição suíça à imigração de cidadãos da UE

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, considerou hoje um "sinal positivo" a rejeição suíça de uma restrição à imigração de cidadãos da União Europeia (UE).

O voto dos suíços valida um dos pilares centrais da nossa relação: a liberdade mútua de circular, viver e trabalhar na Suíça e na União Europeia. Saúdo este resultado. Vejo-o como um sinal positivo para continuar a consolidar e aprofundar nosso relacionamento”, afirmou em comunicado.

António Guimarães / com Lusa - notícia atualizada às 17:50