A líder da oposição bielorrussa, Svetlana Tikhanovskaya, disse esta segunda-feira que o rapto de Maria Kolesnikova e de outros opositores não interromperá os protestos e acusou o governo do presidente Alexander Lukashenko de lançar o terror contra os adversários.

O sequestro de Maria Kolesnikova, Anton Rodnenkov e Ivan Kravtsov é uma tentativa de impedir o trabalho do Conselho Coordenador (para a transferência pacífica do poder na Bielorrússia) e intimidar os seus membros”, disse Svetlana Tikhanovskaya, atualmente exilado na Lituânia, citada pelo portal digital Tut.by.

Esta segunda-feira de manhã, Maria Kolesnikova foi intercetada no centro de Minsk por vários homens mascarados que a colocaram numa carrinha e foi levada para parte desconhecida, de acordo com testemunhas ouvidas pelos media locais.

Pouco depois, Rodnenkov e Kravsov, membros do Conselho Coordenador, também teriam desaparecido.

As autoridades praticam o terror. Isso não pode ser chamado de outra forma”, disse Svetlana Tikhanovskaya, que disputou as eleições presidenciais de 9 de agosto.

Nessas eleições, Alexander Lukashenko, no poder há 26 anos, foi proclamado vencedor com 80,1% dos votos, resultado considerado fraudulento pela oposição e que não foi reconhecido pelos países ocidentais.

As autoridades enganam-se se pensam que vão nos deter. Quanto mais nos intimidarem, mais gente sairá às ruas. Continuaremos a lutar. Vamos conseguir a liberdade de todos os detidos e a realização de novas eleições”, frisou Tikhanovskaya.

A polícia de Minsk, por sua vez, negou que Maria Kolesnikova tenha sido detida por algum dos seus oficiais.

Numa entrevista recente à agência de notícias EFE, Kolesnikova declarou que não tinha medo de ser presa.

Conheço muito bem os últimos 26 anos da história da Bielorrússia. Para mim, foi uma escolha e um risco que assumi com todas as consequências. Mas o futuro da Bielorrússia merece a nossa luta e, por isso, sacrificar alguns confortos. Não me arrependo", afirmou a opositora.

Kolesnikova, membro do Conselho de Coordenação para a transferência pacífica do poder na Bielorrússia, é uma das principais figuras da oposição bielorrussa no país e uma das poucas que escolheram não se exilar no estrangeiro.

Maria Kolesnikova, música de profissão, é a única das três mulheres que enfrentaram o Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, na campanha para as presidenciais que continua em Minsk, já que a líder da oposição, Svetlana Tikhanovskaya, e Veronika Tsepkalo partiram para o exílio depois das eleições de 9 de agosto.

O chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Josep Borrell, classificou hoje como “inaceitáveis” os “raptos por motivos políticos” de opositores na Bielorrússia, exigindo que as autoridades respeitem as leis nacionais e internacionais.

A Bielorrússia tem sido palco de várias manifestações desde 09 de agosto, quando Alexander Lukashenko conquistou um sexto mandato presidencial.

Nos primeiros dias de protestos, a polícia deteve cerca de 7.000 pessoas e reprimiu centenas de forma musculada, suscitando protestos internacionais e ameaça de sanções.

Os Estados Unidos, a União Europeia e diversos países vizinhos da Bielorrússia rejeitaram a recente vitória eleitoral de Lukashenko e condenaram a repressão policial, exortando Minsk a estabelecer um diálogo com a oposição.

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