A líder da oposição bielorrussa no exílio, Svetlana Tikhanovskaya, disse esta terça-feira, na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, que se recusa “a baixar a cabeça, como milhões de bielorrussos”, perante o presidente do país, Alexander Lukashenko.

Numa videoconferência organizada pela comissão de Assuntos Políticos e Democracia do Conselho da Europa, Tikhanovskaya defendeu que alguns líderes da oposição foram raptados e afirmou que centenas de pessoas na prisão “foram espancadas e violadas”.

Esta não é a forma de agir da Europa”, disse a candidata às eleições presidenciais de 9 de agosto, acrescentando que não vai aceitar que este seja o destino do seu país.

Durante os sete minutos que durou o seu discurso, Svetlana Tikhanovskaya pediu também “a libertação dos presos políticos e um diálogo civilizado”, considerando que Alexander Lukashenko “não tem legitimidade” e “deixou de representar os bielorrussos” depois de “ter falsificado os resultados eleitorais, que não foram reconhecidos por nenhuma organização internacional”.

Segundo Tikhanovskaya, o povo bielorrusso defende os princípios do Conselho da Europa (democracia, direitos humanos e Estado de direito), mas “o regime atual troça desses valores”.

Depois do discurso da líder da oposição bielorrussa, o presidente da comissão de Assuntos Internacionais da Assembleia da Bielorrússia, Andrei Savinykh, interveio, acusando “as forças armadas polacas de convocarem, através das redes sociais, os bielorrussos para se manifestarem”.

Savinykh descreveu as ações dos manifestantes como “violentas” já que recorrem ao uso de “coquetéis molotov, paus e pedras” e referiu que “muitos agentes da polícia foram hospitalizados com ferimentos graves” para justificar “a força com que os agentes reagiram às provocações”.

“Não excluo a participação do Comité de Ministros, da Comissão de Veneza [órgão consultivo sobre questões constitucionais] e do Congresso dos Poderes Locais e Regionais [todos do Conselho da Europa] numa reforma legislativa na Bielorrússia”, através de um referendo”, afirmou.

Embora a maioria dos deputados que participaram no debate fossem simpatizantes de Tikhanovskaya, os legisladores russos Petr Tolstoy e Alexei Kondratiev asseguraram que a líder da oposição “não representa ninguém” porque só obteve 10% dos votos nas eleições presidenciais.

O presidente da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, Rick Daems, considerou que a Bielorrússia está perante “uma evolução, mais do que uma revolução” e propôs que o órgão da Europa seja “parte da solução”, enquanto a secretária-geral do Conselho da Europa, Marija Pejcinovic, afirmou que “a intimidação massiva de cidadãos por agentes do Governo é totalmente inaceitável e deve parar” de imediato.

A Bielorrússia tem sido palco de várias manifestações desde 09 de agosto, quando Alexander Lukashenko conquistou um sexto mandato presidencial.

Nos primeiros dias de protestos, a polícia deteve cerca de 7.000 pessoas e reprimiu centenas de forma musculada, suscitando protestos internacionais e ameaça de sanções.

Os Estados Unidos, a União Europeia e diversos países vizinhos da Bielorrússia rejeitaram a recente vitória eleitoral de Lukashenko e condenaram a repressão policial, exortando Minsk a estabelecer um diálogo com a oposição.

/ BC