A divulgação de um vídeo que mostra um polícia a atirar ao chão um adolescente aborígene, na cidade de Sydney, está a causar polémica na Austrália, pelo tratamento dado ao povo autóctone australiano.

A polícia do estado de Nova Gales do Sul, cuja capital é Sydney, disse num comunicado que o agente envolvido no caso viu as suas funções limitadas enquanto decorre a investigação e, paralelamente, os líderes aborígenes e comunitários da área serão informados sobre o processo.

O jovem de 16 anos foi detido no centro de Sydney após supostamente ameaçar agredir um polícia.

De acordo com as imagens gravadas a partir de um telemóvel, após a ameaça, o agente colocou as mãos nas costas do adolescente e atingiu-o nas pernas para fazê-lo cair ao chão e, depois, algemá-lo.

O jovem foi levado a um hospital "com hematomas no ombro, cortes, arranhões nos joelhos, rosto, cotovelo e um dente lascado", disse Justin O'Brian, presidente da Associação Aborígene Gundjeihmi, numa mensagem publicada no Twitter.

O incidente ocorre num contexto de agitação na Austrália, onde decorrem protestos contra a morte na semana passada do afro-americano George Floyd, alvo de uma violenta detenção por parte da polícia de Minneapolis, nos EUA.

No vídeo da detenção de Floyd, vê-se o norte-americano a dizer ao polícia: “Eu não consigo respirar”.

Essa mesma frase foi dita por David Dungay Jr., um jovem aborígene de 26 anos que morreu numa prisão de Sydney, em 2015, enquanto estava a ser manietado por cinco guardas.

A prisão do jovem de 16 anos em Sydney ocorre em plena comemoração da Semana da Reconciliação (27 de maio a 3 de junho) entre os aborígenes australianos, que compõem 3% de uma população de 24 milhões.

Apesar de serem a minoria, os povos indígenas representam 29% da população adulta australiana em prisões e 48% nos reformatórios juvenis.

A Austrália tenta tomar medidas para diminuir a distância com os povos indígenas, que chegaram ao território há mais de 50.000 anos e sofrem constantes maus-tratos e discriminação sistemática desde a colonização britânica no século XVIII, bem como a apropriação de suas terras.

Entre 1910 e 1970, foi imposta a política da “Austrália Branca”, que resultou na retirada de cerca de 100.000 menores das suas famílias aborígenes para serem criados por famílias ou instituições compostas por pessoas brancas, no que foi chamado de "geração roubada", cujos sobreviventes e descendentes ainda sofrem traumas profundos.

/ AG