Um menino de 13 anos morreu, no sábado, num combate de Muay Thai na Tailândia. Uma hemorragia cerebral resultante dos golpes sofridos foi a causa da morte de Anucha Tasako, confirmou à CNN o tenente Rawin Nasomsong, do Instituto de Medicina Forense da Polícia Real tailandesa.

Anucha Tasako não usava qualquer equipamento de proteção neste combate. A criança praticava a modalidade desde os oito anos e já teria feito mais de 170 combates. 

O caso está a aumentar a discussão sobre a prática de Muay Thai por crianças, que é comum na Tailândia e frequentemente usada para ajudar os pais em termos financeiros. A morte do menino levou a pedidos para que a prática da modalidade seja revista. É comum no país que o Muay Thai, considerado desporto nacional, use meninos e jovens, às vezes tão novos quanto os oito anos, para competir em combates profissionais.

No caso de Anucha Tasako, os defensores da modalidade acusam o árbitro de não ter sido suficientemente rápido a atuar e apontam ainda a falta de um médico no local, o que terá contribuído para a morte da criança.

De acordo com o jornal Bangkok Post, o Governo tailandês está a preparar legislação no sentido de proibir os combates entre crianças menores de 12 anos. A mesma legislação vai exigir que as que têm entre 12 e 15 anos usem equipamento que garantam a segurança, especialmente capacetes.

Este projeto de lei estipula os critérios relativos às idades dos jovens que querem competir neste desporto", afirmou o ministro do Turismo e do Desporto. Weerasak Kowsurat acrescentou que o Ministério "acelerará o processo para que seja apreciado o mais depressa possível".

A iniciativa já está a ser criticada por quem alega que pode levar a prática de Muay Thai à extinção, mas ativistas e médicos que várias vezes pediram alterações à lei, sem nunca terem sido ouvidos até agora, explicam que o objetivo não é acabar com a modalidade.

Nós nunca recomendámos uma proibição total do Muay Thai", afirmou à CNN o chefe de um projeto de investigação que envolve crianças que praticam Muay Thai, levado a cabo pela Universidade de Mahidol. "Mas queremos que evitem bater na cabeça das crianças até que tenham pelo menos 15 anos", sublinhou Witaya Sungkarat, acrescentando que a notícia da morte de Anucha Tasako trouxe uma grande luz sobre esta questão.

A equipa de Witaya Sungkarat realizou um estudo em que foram examinados os cérebros de crianças que praticam Muay Thai e comparou-os com os de crianças que não praticam a modalidade. Os resultados mostraram claramente que o desenvolvimento do cérebro de crianças que não competem no Muay Thai é diferente do das crianças cujas cabeças foram atingidas por golpes em competições, disse o especialista.

As conclusões do estudo foram tidas em conta no novo projeto de lei, que está em apreciação no Ministério do Turismo e do Desporto, rematou Witaya Sungkarat.