Um menino de sete anos está em coma após ter sido atirado ao tapete 27 vezes durante uma aula de judo, pelo professor e por um colega, até perder os sentidos, durante uma demonstração em Taiwan. 

O incidente aconteceu num dojo na região de Taichung Fengyuan durante uma sessão de treino, no dia 21 de abril.

Num vídeo tornado público é possível ver Wei Wei a ser atirado ao chão várias vezes durante a demonstração de um movimento. Apesar dos repetidos apelos da criança para que parassem, o treino só terminou quando ficou inconsciente.

Na demonstração do movimento técnico, Wei Wei queixou-se de dores na perna e na cabeça, mas o seu treinador obriga-o a levantar-se e deu ordens ao aluno mais velho para o voltar a atirar ao chão. Demasiado fraco para se levantar, o treinador afastou o aluno e levantou ele próprio o menino, atirando-o várias vezes contra o tapete até a criança começar a vomitar.

O rapaz, que duas semanas antes tinha convencido a família a ter aulas de judo, acabaria por perder os sentidos. Acabou por ser transportado para o hospital, onde os médicos confirmaram que o menino sofreu uma hemorragia cerebral e encontra-se em coma.

Os médicos admitem que é provável que a criança permaneça em estado vegetativo mesmo se sobreviver. 

A mãe de Wei Wei recorda com tristeza o dia em que tudo aconteceu.

Ainda me lembro dessa manhã em que o levei à escola. Ele virou-se para mim de disse ‘adeus mamã’. À noite, já estava assim [em coma]”, afirmou à televisão britânica BBC.

O treinador, um homem na casa dos 60 anos, foi detido por suspeitas de negligência. O homem nega qualquer irresponsabilidade. O procurador do distrito onde o caso teve lugar acabou por libertá-lo, após considerar plausível a explicação de que tudo o que aconteceu foi parte de “um treino normal”.

No entanto, após a conferência de imprensa da família de Wei Wei, as autoridades voltaram atrás e um tribunal considerou que o treinador é suspeito de ter cometido um crime grave, dando ordem para que fosse novamente detido.

Numa cultura onde os professores são vistos com grande admiração, o caso está a gerar um debate nacional sobre a forma como Taiwan trata as crianças e como estas são educadas.