As famílias dos membros pró-democracia de Hong Kong detidos na China disseram esta sexta-feira que receberam cartas dos ativistas, mas acreditam terem sido escritas sob coação, porque garantem estar a ser bem tratados e pedem-lhes silêncio.

As cartas manuscritas de sete dos 12 detidos são as primeiras notícias recebidas diretamente pelas famílias depois de terem sido detidos em finais de agosto pela China, quando tentavam fugir numa lancha para Taiwan.

Numa declaração, os familiares disseram que nestas cartas eram aconselhados a não falar com os meios de comunicação social.

Há dúvidas de que tenham escrito estas cartas de livre vontade", disseram.

A maioria destes fugitivos estava a ser alvo de processos na antiga colónia britânica pelo envolvimento na histórica mobilização de 2019.

Desde a detenção efetuada pela Guarda Costeira chinesa, têm estado nas mãos do sistema de Justiça da China, onde a condenação dos acusados é quase certa.

As cartas foram enviadas por advogados nomeados pelo Governo chinês, uma vez que aqueles escolhidos pelas famílias não tiveram acesso aos detidos, uma prática comum das autoridades chinesas em casos sensíveis ou políticos.

Quatro das cartas foram entregues aos meios de comunicação social pelo Grupo de Apoio de Hong Kong 12, que é responsável pela assistência às famílias dos detidos.

Eu vivo muito bem aqui. Não se preocupem comigo. Estou de muito boa saúde e estou saciado, com três refeições por dia", lê-se na carta de Cheng Tsz-Ho, datada de 21 de outubro.

 

Eu durmo bem, como bem e descanso bem aqui. O pessoal do centro de detenção é muito simpático", escreveu Tang Kai-yin numa carta, três dias mais tarde.

A China diz que o grupo está detido por tentativa ilegal de atravessar a fronteira, mas existem preocupações de que possam ser processados por delitos de segurança nacional, que prevê pena de morte ou prisão perpétua.

Hong Kong tinha um sistema judicial independente e respeitado, onde os direitos da defesa eram garantidos e os julgamentos eram realizados em público, algo que as recentes ações de Pequim colocam agora em causa, ao forçar legislação na antiga colónia britânica, que deveria gozar de semi-autonomia.

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